O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 08/07/2018
Saúde negligenciada
De acordo com a teoria do sociólogo Durkheim, a sociedade funciona de forma análoga a um “organismo biológico”, sendo necessária a coesão social para o bom funcionamento. Contudo, no Brasil, o aumento exorbitante nos índices de casos de depressão entre jovens representa uma patologia que gera malefícios a esse “corpo”. Isso se deve, sobretudo, à grande pressão social vivenciada no período da adolescência e ao tabu imposto no debate sobre o tema.
Em uma primeira análise, cabe ressaltar que, na segunda geração do romantismo brasileiro, a depressão foi retratada como uma doença psicológica na qual o portador busca a fuga da realidade. Todavia, na pós-modernidade essa enfermidade foi intensificada, principalmente, entre o público jovem, como mostra dados de pesquisas internacionais que enquadram o Brasil como terceiro país mais deprimido do mundo. Dessa forma, fica claro que a pressão social para ter um bom desempenho escolar, ser aceito em determinado grupo de amigos e ter sucesso profissional contribui para a piora da saúde mental e pode ocasionar fatalidades, como o suicídio.
Outro aspecto a ser abordado é que, segundo a Constituição Federal de 1988, a saúde é um direito de todos e dever do Estado. Entretanto, o caso de epidemia de doenças psicológicas evidenciam que os programas de saúde pública não estão adequados para resolver a problemática e precisam de melhorias. Ademais, a depressão ainda é tratada como tabu em uma sociedade conservadora e muito pouco debatida na mídia, nas escolas e no ambiente familiar. Dessarte, a falta de diálogo entre pais e filhos mostra que liquidez das relações na contemporaneidade está intimamente ligada com a formação de uma juventude depressiva e sem perspectiva de vida.
Fica claro, portanto, que a o crescimento da taxa de população com depressão no Brasil é prejudicial para o bem-estar de todos e precisa ser amenizado para a harmonia social. Assim, além de cobrar dos meios midiáticos uma maior representação do assunto em novelas e séries e de divulgar o programa “Centro de Valorização da Vida” em canais do Youtube de grande audiência juvenil, o Governo Federal, por meio de reforma na base curricular nacional do ensino médio, deve instituir nas aulas de biologia o debate sobre doenças psicológicas e suas consequências, com a participação de psicólogos e médicos. Tais medidas visam superar o tabu em discutir o tema, propiciar aos jovens profissionais para conversar e possibilitar que as instituições educacionais informem os pais sobre o comportamento dos filhos no ambiente escolar.