O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 09/07/2018

Na França, o berço do romantismo, o livro “Os Sofrimentos do Jovem Werther,” no qual o personagem principal se mata por um amor platônico, acabou influenciando na época vários jovens a cometerem o suicídio.  Análogo a isso, tem-se o aumento do índice de depressão entre as pessoas mais novas. Dessa forma, necessita-se discutir como que o individualismo e falta de informação permeia essa temática.

Primordialmente, o ser humano tende a ter uma busca ávida pela felicidade, de tal forma, que na maioria das vezes, ela é relacionada a bens materiais, status sociais, de modo que há uma substituição de valores coletivos por individuais. Isso acontece porque, na pós-modernidade, as pessoas conforme defendia o sociólogo Zygmunt Bauman na obra “Amor Líquido,” buscam a não se envolver nas relações interpessoais que desenvolvem ao longo da vida. Em decorrência dessa fragilidade nos laços afetivos, o individualismo é potencializado, de maneira que contribui para a alta taxa de pessoas com depressão.

Outro fator, que corrobora para aumento de números de depressivos é a ignorância da população em relação à doença. Visto que cerca de 50% da população que apresenta depressão não sabe que é portadora da mesma, de acordo a Folha de S. Paulo. Esse cenário ocorre porque o poder público disponibiliza pouca informação a respeito desse assunto, logo, essa patologia fica banalizada, sendo considerada, na maioria das vezes, como frescura. Todavia, a depressão pode acarretar consequências graves, como o suicídio quando não é diagnosticada a tempo.

Portanto, o Ministério da Educação, em parceria com as escolas, deve incluir a disciplina de ética e cidadania no currículo escolar dos ensinos fundamental e médio. De modo, que essas aulas têm o objetivo de desconstruir o individualismo já arraigado na sociedade. Ademais, o Ministério da Saúde, concomitantemente com a mídia, deve criar campanhas que conscientize e alertem a população brasileira sobre a depressão e seus riscos, através das redes sociais e televisão, pois, assim, irá ajudar a esfacelar o estigma da doença. Paralelamente à isso, as ONGs e Instituições Religiosas podem oferecer auxílio psicológico e espiritual a esses jovens, por meio de eventos de ampla divulgação midiática, com o intuito de  mostrar novas possibilidades a eles.