O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 08/07/2018

O filme “Melancolia” faz uma metáfora de um planeta que vai colidir com a terra para mostrar o quanto a depressão é destrutiva e, como o próprio nome diz, relata como a doença é debilitante. Fora das telinhas essa doença psíquica é uma triste realidade que acomete principalmente os jovens. No Brasil isso não é diferente. Nesse cenário, não só a mudança nas relações pós-modernas, mas também a falta de diálogo sobre o assunto são os principais propulsores desse mal.

O sociólogo polonês Zygmunt Bauman já disse:“Estamos todos numa solidão e numa multidão ao mesmo tempo”. Na era digital, as relações humanas, sobretudo dos jovens também sofreram grandes transformações. Diante disso, se por um lado obteve-se o prazer de interagir, instantaneamente, com alguém de qualquer lugar do planeta, com isso veio o desprazer de interações superficiais. Assim, a letra da canção de Roberto Carlos ao dizer “Eu quero ter um milhão de amigos” tornou-se realidade. Entretanto, nas relações virtuais não existem discussões que terminem em abraços vivos, as conversas são mudas e distantes.  Além disso, na vida online todo mundo parece estar bem e feliz. Nessa perspectiva, o jovem ao se sentir excluído dessa vida “perfeita” fica mais propenso à depressão.

Por outro lado, a falta de debate sobre a depressão torna esse tema tabu, o que dificulta a diminuição dos índices da doença e do suicídio, sua mais trágica consequência, entre os jovens brasileiros. Nesse sentido, muitos indivíduos pensam que depressão é sinônimo de tristeza profunda, mente fraca ou coisa parecida. Segundo o político e sociólogo brasileiro Fernando Henrique Cardoso, as pessoas não têm coragem de quebrar o tabu e dizer: vamos discutir a questão. Desse modo, enquanto os cidadãos brasileiros não se encorajarem a se informar e debater a questão do suicídio, esse mal continuará aumentando e com ele mais pessoas que propagam ideias que contribuem para fortalecer essa epidemia.

Urge, portanto, que medidas sejam tomadas com vistas a frear o aumento da depressão entre os jovens do Brasil. Para melhorar a superficialidade das relações pós-modernas e prevenir o suicídio, cabe aos pais mediarem a forma como seus filhos se relacionam na rede, orientando eles sobre a necessidade de construir relações sólidas offline e a não se Iludirem com tudo que veem ,pois todas as pessoas têm alegrias e tristezas. Para desconstruir o tabu que envolve o suicídio, é papel do Ministério da Educação,em parceria com o Ministério da Saúde, criar rodas de conversas aos finais de semana nas escolas, para alunos do ensino fundamental e médio,com a presença dos pais, psicólogos, psiquiatras e pessoas da comunidade que se interessarem. O objetivo é que, com as medidas citadas, a questão do suicídio seja preocupante apenas na cinamatografia.