O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 09/07/2018
Decepcionados com o mundo, os poetas da segunda geração romântica ao se sentirem incompreendidos pela sociedade, se isolavam e evocavam, por meio dos seus textos melancólicos, a morte. Embora data de mais de um século atrás, o sofrimento romântico parece não abandonar o presente. Nestes tempos em que as relações sociais estão cada vez mais frágeis, tornou-se bastante comum, no Brasil, encontrar crianças e adolescentes que sofrem com a depressão. Tal situação está intrinsecamente ligada à realidade brasileira: seja pela falta de empatia, seja pela exigência de pertencimento ao padrões sociais.
De início, é importante entender que as relações interpessoais tornaram-se extremamente individualistas e egocêntricas, o que causou diversos transtornos mentais entre os jovens, como a depressão. Assim, segundo a teoria “modernidade líquida, do filósofo Zygmunt Bauman, o mundo hodierno reflete nas relações sociais, que se tornaram artificiais e fluidas. Isso ocorre porque em certas escolas e em muitos ambientes domésticos, principais contextos responsáveis pela formação moral do indivíduo, não estimulam o diálogo, não observam o comportamento desses adolescentes e não se empanham para conter determinado comportamento vil, como o bullying. Com efeito, essa ausência de uma educação cidadã eficaz contribui para um número cada vez maior de jovens depressivos que, por falta de apoio, vêem a morte como a única saída para esse problema.
Outro aspecto que agrava esse problema é a insistente pressão dos padrões sociais estipulados pela mídia. Concomitantemente, verifica-se, por exemplo, adolescentes insatisfeitos com a imagem corporal por não sentirem inseridos no que a sociedade dita como corpo perfeito, desenvolvendo, assim, quadros de ansiedade e depressão. Essa circunstância evidencia a deturpação dos valores sociais, onde o respeito ao próximo, infelizmente, cedeu lugar ao preconceito e a intolerância. Dessa forma, é de fundamental importância pensar, questionar e compreender a depressão como algo sério.
Entende-se, portanto, que é importante que o país preste atenção no aumento da depressão entre os jovens, para que eles possam receber a assistência necessária e não sejam tão cobrados socialmente. Desse modo, cabe as instituições de ensino promover palestras, seminários, documentários, valorizando a auto-estima, estimulando a solidariedade entre os alunos e o senso-crítico juvenil para discernir, satisfatoriamente, o que é correto e o que é errado. Além disso, as famílias devem sempre estimular o diálogo doméstico, dar apoio e suporte, procurar um acompanhamento psicológico e estarem atentos a qualquer distúrbio comportamental.