O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 09/07/2018
Mais de 300 milhões de pessoas no mundo sofrem com a depressão, revelando uma situação alarmante. No Brasil, ocorrem mais de 12 mil suicídios por ano e o percentual entre jovens é cada vez maior, segundo pesquisas da Organização Mundial da Saúde. Esse problema é um obstáculo à vida saudável e está relacionado não só ao pragmatismo e ineficácia do sistema de ensino em formar jovens que saibam gerenciar sentimentos, como também às novas expressões de rotina e relações contemporâneas. Combater esse mal é urgente, visto que, um de seus efeitos pode ser o suicídio. Em primeira análise, é importante ressaltar que a educação brasileira não fornece condições necessárias para que os estudantes fortaleçam a relação com os próprios sentimentos. Segundo o pensamento de Augusto Cury, a educação clássica ensina a conhecer detalhes de átomos e planetas, mas não a conhecer a mente humana em sua complexidade e como trabalha-la para que torne o indivíduo capaz de lidar com as dificuldades cotidianas. Essa fragilidade no sistema de ensino faz com que a depressão ganhe, cada vez mais, espaço entre os jovens, isso porque muitos estão submetidos a uma carga elevada de aprendizados e pressões sociais para que sejam bem sucedidos na profissão, situação econômica e social, relação amorosa ainda que não saibam lidar com tudo isso.
Ademais, a contemporaneidade tem tornado as relações sociais mais frágeis e instáveis como apontaria Bauman, em que o excesso de estímulos informacionais, como as redes sociais, acabam gerando esgotamento mental e diminuição da sociabilidade. A depressão alimenta-se justamente desse isolamento e distanciamento da realidade a qual os jovens estão vivenciando. Não só no Brasil, mas em todo o mundo, as pessoas mostram nas redes sociais uma vida agradável e feliz que contrasta, muitas vezes, com os altos índices de depressão, suicídio, ansiedade, vícios. Em vista disso, a juventude acaba sendo consumida pela ilusão de completude proposta pelas redes virtuais sem refletir sobre a própria identidade e valores, frustrando-se muito facilmente ao deparar-se com a realidade difícil e indiferente.
Fica claro, portanto, que a depressão encontra na imaturidade juvenil terreno fértil para crescer. Diante disso, é de extrema importância que o Governo Federal, mediante o Ministério da Educação, promova debates e audiências entre especialistas em saúde e educação, professores, alunos, órgãos de pesquisa para que encontre mecanismos de reforma no sistema pragmático e tradicional de ensino. Treinar professores e criar uma disciplina que forneça condições das crianças e jovens de aumentarem o senso crítico, racionalidade, estímulo ao aprimoramento das relações interpessoais e a distinguirem as fronteiras entre o real e virtual. Dessa forma, um longo passo será dado na formação dos jovens para que eles tenham mais qualidade de vida e aptidão para aproveitar as possibilidades dessa rica fase.