O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 09/07/2018
Segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), os índices de doenças mentais, sobretudo, a depressão, crescem progressivamente. De acordo com essa instituição, todas as faixas etárias estão sendo afetadas, especialmente, os jovens, que tanto sofrem com esse “mal-do-século”, tão nítido na Literatura. Nesse viés, vale analisar e entender os aspectos socioculturais e biológicos a fim de atenuar essa difícil problemática nacional.
Primeiramente, é preciso considerar a relação entre o crescimento dessa patologia e a cultura hodierna. Parafraseando Zygmunt Bauman, a sociedade contemporânea é, cada vez mais, individualista e egocêntrica. De fato, o sofrimento e a dor alheia passaram a ser algo banal para muitas pessoas, a ponto de, com base no senso comum, afirmarem que a depressão é “falta de Deus”, “ausência do que fazer” ou uma forma de “chamar atenção”. Todavia, estudos psicológicos e psiquiátricos mostram que essa doença tem influência genética, ambiental e afetiva, e que precisa ser tratada urgentemente, já que é uma das principais causas de suicídio e incapacitação. Nesse viés, nota-se que aquela mentalidade de cunho popular e sem fundamento concreto, acaba sendo uma forma de esteriótipo que contribui para o avanço desse problema, que precisa ser logo amenizado.
Além disso, vale ressaltar os quesitos biológicos responsáveis por essa situação. De acordo com a Medicina, a alimentação e a prática de exercícios físicos ajudam na prevenção das diversas patologias, inclusive mentais. Entretanto, com a consolidação neoliberal e a contínua agitação na sociedade, os “fast-foods” e o sedentarismo estão mais presente no cotidiano da população brasileira. Nessa perspectiva, a soma desses dois aspectos com os déficits hormonais, a hereditariedade e os problemas nos neurotransmissores, tornam o indivíduo, sobretudo, o jovem, que está em desenvolvimento, mais vulnerável a esse mal, que já era expresso nos poemas da Segunda Geração Romântica. Dessa forma, percebe-se que esse problema já existe há muito tempo e é preciso ser solucionado.
É claro, portanto, que o crescimento da depressão entre os adolescentes no Brasil necessita ser atenuado. Para isso, é indubitável que o Estado amplie, através de verbas públicas, os serviços prestados pela ABP, disponibilizando, também, auxílio psicológico e terapêutico gratuito, a fim de atender a demanda populacional e reduzir as consequências dessa patologia. Ademais, as escolas devem promover palestras, com profissionais dá área psíquica, que debatam e instiguem a reflexão dos pais e alunos, a fim de evitar a propagação de esteriótipos e paradigmas e de incentivar a prevenção e o cuidado, alertando-os sobre os prejuízos dessa patologia. Só assim, evitar-se-á que os índices desse transtorno continuem a crescer progressivamente e que o estigma do Romantismo se perpetue.