O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 11/07/2018
Em 2017, a Netflix produziu a série “13 reasons why” em que a protagonista Hanna Backer sofria depressão e acaba tirando a própria vida, deixando fitas cassetes explicando os motivos que a levaram a isso. Como resultado do sucesso da série, foi trazido à tona o assunto “depressão”. Segundo os dados da OMS, o Brasil é o país com maior prevalência de depressão da América Latina com 5,8% da população sofrendo com esse problema. Essa problemática está relacionada às fracas relações interpessoais e as falhas na saúde pública.
A princípio, as fracas relações interpessoais interferem diretamente nos casos de depressão entre os jovens. Segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, a modernidade é líquida. Nesse contexto, as relações entre pessoas se dão por meio de laços superficiais e momentâneos se tornando relações frágeis e mais suscetíveis a rupturas e decepções. Isso pode colaborar no surgimento da depressão pois, seja na escola ou em casa, essa doença metal e como trata-la dificilmente é tema de conversas entre os adultos e os mais novos. Esse vácuo faz com que os sinais da doença, como tristeza persistente, passem despercebido pela família.
Ademais, as falhas na saúde pública em relação a depressão são as escassas informações e tratamentos. De acordo com dados da OMS, 75% das pessoas com depressão não recebem tratamento adequado. Diante disso, é fundamental que as unidades básicas de saúde com atendimento psiquiátrico estejam presente em todos os municípios brasileiros para fornecer todo o tratamento necessário. Além disso, é crucial que o Ministério de Saúde desenvolva um projeto de informação sobre a depressão para que os sinais da doença não sejam confundidos com os sintomas típicos da adolescência e nem relativizados pelos pais, o que acontece muitas vezes.
Portanto, embora já exista o Centro de Valorização da Vida (CVV) em que um grupo de voluntários ajudam as pessoas com problemas emocionais através de ligação, e-mail, chat e skype, é necessário mais. Assim, cabe ao Poder Público através do Ministério da Saúde criar as campanhas de conscientização da população geral incentivando a busca por ajuda. Isso pode ser feito por meio da confecção de cartilhas que devem ser distribuídas para toda a sociedade informando sobre os sintomas (baixa autoestima, ansiedade e tristeza profunda e persistente) e o tratamento realizado pelas unidades de saúde (medicamentos e psicoterapias). Para que a procura por ajuda seja aumentada e como consequência os casos de depressão diminua. Ademais, devem ser criados centros especializados no Sistema Único de Saúde (SUS) para o tratamento da doença. Desse modo, sem mais “porquês” é o momento de tratar a depressão seriamente.