O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 12/07/2018
Segundo dados fornecidos pela OMS- Organização Mundial da Saúde-, o Brasil é o país mais depressivo da América Latina. Fato que somado ao aumento dos diagnósticos entre jovens torna-se extremamente preocupante, uma vez que acometidos pela depressão, esses jovens são levados ao isolamento social e, em casos mais graves, ao suicídio. O suicídio de uma estudante da Universidade de Brasília, a qual convivia com a doença, ocorrido no próprio campus da UnB no início de 2018 exemplifica bem tal fato.
Muitos são os fatores que influenciam no desenvolvimento da depressão. Embora parte deles estejam relacionados ao próprio indivíduo, como sua personalidade e herança genética, o principal causador está relacionado ao meio social no qual esse indivíduo está inserido. Os fatos sociais, estudados por Durkheim, ao serem coercitivos e externos à vontade do indivíduo, justificam a pressão social sofrida pelos jovens, os quais devem se adequar aos padrões impostos pela sociedade sobremaneira exigente.
Ademais, o estabelecimento de laços afetivos efêmeros e a desvalorização das relações interpessoais, explicados pela Teoria da Modernidade Líquida, de Zygmunt Bauman, também contribuem para o alto índice de depressão do país. Visto que, além de possibilitarem o desencadeamento da doença, interferem na percepção de quem com ela sofre, prejudicando no diagnóstico da mesma. A ausência cada vez mais frequente dos pais na educação de seus filhos por conta da rotina corriqueira e atarefada, justifica a dificuldade enfrentada por muitos de notar a ocorrência da doença dentro do próprio núcleo familiar.
Diante do que foi discutido, é notória a urgência na adoção de medidas que revertam o quadro apresentado. A atuação conjunta de pais e escolas, com o auxílio de psicólogos, no processo de acompanhamento dos adolescentes em questões como sexualidade, vida acadêmica e introdução no mercado de trabalho, em que a pressão realizada por essas instituições fosse substituída por conselhos e compartilhamento de experiências em grupos de diálogos e fóruns de debate, visando a orientação desses jovens, seria uma iniciativa eficiente. Outra opção, tão eficiente quanto, seria a criação de redes sociais de debate, as quais além de proporcionarem meios de interação entre os jovens acometidos por tal mal, também ofereceriam assistência para aqueles que procuram por ajuda.