O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 12/07/2018
No Brasil contemporâneo, vive-se sob a égide de uma democracia de provém da Constituição Federal promulgada em 1988. A partir desse pressuposto, inscritos em tal conjunto de leis, estão os direitos fundamentais. os quais são descritos no artigo 5º, assegurando, por exemplo, a vida digna a todos os cidadãos. Entretanto, apesar de assegurado pela Carta Magna vigente, podemos perceber que a persistência de heranças históricas contribuem com o aumento dos casos de depressão entre os jovens, ocorridos principalmente devido aos padrões sociais e à mediocridade da problemática. Logo, torna-se necessária maior atenção do Estado e da sociedade para mitigar esse desafio.
Primeiramente, vale ressaltar a significante carga histórica que a depressão entre os jovens apresenta, já que advém da Revolução Industrial, na segunda metade do século XIX. Nesse contexto, com a modernização, houve o surgimento das indústrias culturais que pregam padrões sociais a serem seguidos para as pessoas serem aceitas na sociedade. Desse modo, esses padrões atingem principalmente os jovens e quando eles não os possuem se consideram falhos, sedendo à depressão. Além disso, a sociedade julga aqueles que a possuem como infelizes e usam o problema como algo cômico, ou seja, há a mediocridade da depressão que consequentemente aumenta os casos.
Nessa mesma perspectiva, caberia lembrar ainda o conceito de ‘‘modernidade líquida" do célebre sociólogo polonês, Zygmunt Bauman. Esse teórico, por seu turno, dizia que vivemos em um momento de substituição de valores coletivos por valores individuais, e as relações se dão por meio de conexões fluidas que podem ser desfeitas com muita facilidade. Nesse sentido, assim como a água, as ligações interpessoais não têm forma concreta, o que pode estar contribuindo para a solidão do jovem, que induz à depressão. Sendo assim, de acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), o número de quadros depressivos no Brasil cresceu aproximadamente 705% em 16 anos.
Enfim, para enfrentar os desafios de assegurar os direitos fundamentais, principalmente os referentes à vida digna, é necessária uma política que se oriente pelo princípio da responsabilidade compartilhada dos atores sociais, como o Estado e a sociedade. Inicialmente, compete ao Governo, na figura do Ministério da Saúde, promover políticas públicas consistentes para diminuir os casos de depressão entre os jovens, por meio do fornecimento de tratamento psicológico com a formação de profissionais capacitados, com a intuito de resolver a depressão como patologia. Por fim, é função da sociedade civil organizada, por sua vez, praticar a empatia e sensibilizar a população, por intermédio de companhas nas redes sociais que visem acabar com os padrões sociais e com o julgamento de pessoas com depressão, a fim de melhorar as práticas de respeito e convivência.