O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 15/07/2018

A segunda geração romântica, dentre suas características, apresentou à sociedade brasileira um exacerbado sentimentalismo e uma tristeza profunda. Fora do contexto literário, hodiernamente, o Brasil tem vivenciado um expressivo aumento nos casos de depressão, sobretudo entre os jovens. Tal cenário, deve-se principalmente a fragilidade das relações humanas, bem como, também, da coerção social. Nesse sentido, é irrefutável que ocorra uma remodelação dos projetos familiares e midiáticos.

Em primeira análise, as frágeis relações interpessoais -traço marcante da sociedade atual- pode ser elencada como uma das causas do aumento da depressão na juventude. Nessa perspectiva, por exemplo, em muitos lares não existe mais o hábito do diálogo e da proximidade, inclusive entre pais e filhos. No que concerne a esse contexto, é mister buscar, nas ideias do filósofo Bauman, o enredo para a compreensão dessa problemática, já que ele traz em sua metáfora “Modernidade Líquida” a explicação para as relações sociais no mundo moderno, afirmando que tornaram-se fluidas e sem importância quando comparadas com a necessidade de produzir e de se manter presente no mundo virtual. Em síntese, é preciso observar a apatia familiar e a precariedade do diálogo como fatores influentes no âmbito da depressão juvenil, necessitando, portanto, de uma intervenção imediata.

Outrossim, a coercitividade que a sociedade efetua sobre o indivíduo, por vezes, desencadeia decepções perante o sentimento de inadequação social. Nesse contexto, o sociólogo Émile Durkheim afirmara que a sociedade exerce pressão no indivíduo, molda o seu ser e dita padrões. Logo, seguindo essa análise, pode-se observar que atualmente o emponderamento do “eu” ou ainda do ego e principalmente a ideia de ter que ser forte o tempo todo, ratificam o preconceito existente para com os que têm depressão, de tal forma que, por exemplo, em redes sociais a depressão muitas vezes é usada de forma cômica, satirizando e julgando pessoas que apresentam essa doença, de maneira que amplia-se o sentimento de exclusão social.

Torna-se evidente, portanto, o quanto as condutas sociais podem colaborar para o desencadeamento da depressão na adolescência. E para atenuar o problema, os pais devem retomar o hábito de construir laços afetivos com os filhos, por meio de diálogos que criem no adolescente a confiança para tratar de assuntos que lhe angustiam, a fim de que consequências autodestrutivas não cheguem a acontecer. Ademais, cabe a mídia, disseminar conteúdos contra os padrões ideais para integração social, por meio de programações e da rede, visando desconstruir, a longo prazo, o sentimento de exclusão por não pertencer a tal idealização. Com essas medidas, no futuro, tal doença voltaria a ser o mal, exclusivo, da literatura romântica.