O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 15/07/2018

Como definido pelo psicólogo Rollo May no livro Love and Will, “A depressão é incapacidade de construir um futuro”, fica claro que essa afeta a saúde mental e a vida social do indivíduo como um todo. Este fenômeno complexo e multifatorial é crescente na população jovem brasileira, visto que a transição para a vida adulta é marcada por mudanças físicas, emocionais e comportamentais. Sob essa perspectiva cabe analisar como a negligência em identificar a doença no jovem e como a influência externa contribuem no agravamento deste entrave.

É primordial ressaltar que a dificuldade em distinguir os sinais da depressão na juventude é o protagonista pelo agravamento da doença. Isso porque o quadro depressivo é caracterizado por vários sinais – oscilação no humor, isolamento social, tristeza profunda, insatisfação com a vida, desânimo sobre o futuro, culpa e medo – que isoladamente confundem com os atos atípicos da fase jovem. Além disso, na sociedade hodierna observa-se uma isenção coletiva em negar a depressão como uma doença que precisa de intervenção, seja pela vergonha, seja pelo desconhecimento de suas consequências. Não é à toa que a prevalência da condição na população de 12 a 25 anos aumentou cerca de 40% em 5 anos, segundo estudo conduzido pela Universidade da Colúmbia.

Outrossim destaca-se as condições externas na população como impulsionadoras da problemática. Isso ocorre porque na pós-modernidade há uma intensa pressão da sociedade sobre o futuro do jovem, na perspectiva que cumpra um padrão de vida estereotipado como perfeito. Com efeito do medo, insegurança e desesperança pelo despertencimento social, o indivíduo fica sujeito ao quadro de depressão, que aliados a falta de apoio para o tratamento decorre no suicídio. Tal realidade é confirmada por dados da Organização Mundial de Saúde, que em 2015 contabilizou a enfermidade como a maior causadora de suicídio entre jovens de 15 a 29 anos no mundo.

Torna-se evidente, portanto, que a depressão no Brasil é um problema de ordem social, sendo indubitável ações para o enfrentamento. Em razão disso, cabe a Secretaria Municipal de Saúde intensificar ações para o diagnóstico precoce da doença, por meio de treinamentos para os profissionais de saúde no manejo dos sinais, a fim de disponibilizar atendimento psicológico no início dos sintomas e, também, para os grupos de risco. Além disso, o Ministério da Saúde, em parceira com os meios midiáticos, deve promover a massificação de anúncios acerca do reconhecimento da depressão como uma doença, a fim de sensibilizar a população sobre a importância do apoio social. Nessa conjuntura, a progressão da sociedade advinda da mobilização social estará representada conforme estabelecido nos ideais iluministas.