O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 15/07/2018

No filme,“Veronika decide morrer”, é retratada a história de uma jovem que sofre de uma profunda depressão, chegando a decisão final da doença, o suicídio. Hoje, essa ficção é a realidade presente na juventude de muitos brasileiros, considerada o “mal do século” que vem aumentando em um nível surpreendente. Nessa perspectiva, fatores como relações interpessoais, virtuais frágeis, e  o estigma da sociedade contribuem para os diversos casos da depressão.

Embora a fase juvenil seja marcada por novas experiências e anseio de construir um futuro, nota-se que em 12% dos jovens brasileiros são desencadeados sintomas depressivos, segunda a Universidade  Federal de São Paulo. Diante disso, as relações familiares e conjugais que deveriam estar mais afetivas, em uma era digital, estão cada vez mais “fluidas”, ou seja, é um tempo de “modernidade líquida”, conceituada pelo sociólogo Zygmunt Bauman. Logo, com as fragilidades interpessoais, existe o paradoxo de que muitos jovens estão conectados no mundo virtual, mas nunca estiveram tão sós, e quando não conseguem aderir a “felicidade” que procuram ,sentem-se incapazes e sem esperança para prosseguir.

Além da falta de afetividade nas relações, há também a ignorância social por não ter o conhecimento da depressão entre os jovens, que não deveria ser negligenciada, mas respeitada. Isso porque existe muitos casos, porém todos podem chegar ao estágio final, a autodestruição. No entanto, a socidade está engajada com as indústrias culturais, e parafraseando Adorno e Horkheimer, são através delas que padrões sociais são criados e impostos, quem não se encaixa neles, torna-se apenas um estigma. Assim, ser depressivo para muitos é normal ou da fase do jovem, transformando a vitalidade em algo banal, isso se baseia no conceito proposto por Hannah Arendt, da “banalização do mal”, que só tende a continuar aumentando.

Deve-se constatar, portanto, a necessidade de minimizar esses indícios da depressão na juventude. Para isso, o Ministério da Saúde, juntamente com a mídia, em redes sociais, televisões, espaços públicos, devem disseminar conteúdos de reconhecimento aos sintomas depressivos e métodos de tratamento, através de campanhas e projetos sociais, ministrados por psicólogos. Somado a isso, devem impor para a sociedade programações que desconstrua padrões sociais, com valorização do ser humano e não de status e recursos materiais, a fim de diminuir o sentimento de exclusão e incapacidade. Ademais, as relações interpessoais devem retomar os laços afetivos, com diálogos que permitam o jovem ter confiança para expressar o que sente, sem guardar para si e evitar  as consequências autodestrutivas.