O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 16/07/2018

Considerada o “mal do século”, a depressão vem se alastrando e acometendo inúmeros jovens, podendo ser chamada de epidemia. Uma definição aceita para tal doença é a do psicólogo americano Rollo May, que afirma que se trata de uma quadro onde não há uma perspectiva para construir um futuro. Dentre os vários fatores que contribuem para o desenvolvimento desse transtorno mental estão o conceito de felicidade na sociedade atual e a falta de maiores vínculos interpessoais.

A indústria cultural, cada vez mais voltada para ganhos financeiros, busca vender um padrão de felicidade pautada no consumo e na adequação a estilos definidos como exemplos a serem copiados. Caso contrário, estariam à margem desse universo, o que gera em muitos angústia e sensação de não pertencimento, uma vez que poucos poucos conseguem acompanhar o ritmo acelerado da chamada sociedade líquida tão falada por Bauman, contribuindo de forma expressiva com novos casos de pessoas depressivas.

Irritabilidade, angústia, mudança brusca de comportamento, atormentado, tristonho. Características essas muito comuns na fase de transição da adolescência para a juventude, mas é importante saber identificar atitudes típicas desse período de casos de depressão, daí a necessidade de diálogo e paciência com aqueles que estão passando por esta situação, porém o que se observa é a falta de maiores vínculos interpessoais, inclusive dentro da família. Esta, sem querer, acaba agravando os sintomas por não compreender e cobrar desses jovens uma postura mais coerente com suas idades desconsiderando o contexto em que estão inseridos devido a modernidade.

Constata-se, portanto,  uma juventude que sofre e requer uma atenção maior, visto que é alarmante o aumento dos casos de depressão entre os jovens brasileiros, deixando o país, de acordo com um estudo divulgado em 2011, em terceiro lugar no ranking mundial, atrás apenas de França e Estados Unidos. Para amenizar esse cenário faz-se preciso que as redes midiáticas atuem de forma mais engajada, de modo a divulgar informações sobre a doença e, ao mesmo tempo, contribuir para quebrar o preconceito existente, estimulando uma espécie de ajuda mútua entre as pessoas no sentido de ajudar os diagnosticados.Vale salientar, também, o apoio indispensável dos familiares, principalmente dos pais, nesse processo e o poder do diálogo como ferramenta de combate. Assim espera-se uma realidade diferente da atual, onde quadros de melancolia e pessimismo ficam restritos apenas na literatura.