O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 16/07/2018

A segunda geração do romantismo no Brasil ficou conhecida como representante do “mal do século”. A expressão se refere à temática extremamente melancólica abordada por seus autores, os quais, ainda jovens, descreviam suas desilusões amorosas e a infelicidade perante a vida. Mais de 2 séculos se passaram desde o início desse movimento literário; o contexto mundial é outro, mas as aflições de muitos jovens se mantêm. Nesse sentido, é de fundamental importância discutir o crescente índice de jovens depressivos no país, problema que se agrava, sobretudo, por conta da instabilidade que marca essa fase da vida e da negligência da sociedade para com a depressão.

Convém ressaltar, a princípio, que o contexto em que vivem os jovens brasileiros, hoje, é um fator determinante para o aumento da depressão entre eles, uma vez que uma das marcas da modernidade é a instabilidade social. Tal viés tem respaldo na teoria do sociólogo britânico Anthony Giddens, segundo a qual a contemporaneidade apresenta uma dissolução das estruturas sociais tradicionais, permitindo uma maior autonomia do indivíduo na sua construção identitária, mas ao mesmo tempo responsabilizando-o pelos riscos de suas decisões. Por conta disso, recai sobre os jovens uma pressão muito grande para que correspondam às expectativas sociais, o que, diante da frustração, é um forte propulsor da depressão.

Outrossim, a forma como a sociedade lida com a depressão também constitui um contribuinte para o seu aumento, posto que o desconhecimento dessa doença muitas vezes dificulta seu diagnóstico e seu tratamento. Além dos aspectos sociais supracitados e ocasionais (como perda familiar) da depressão, esse transtorno psíquico possui raízes biológicas, como o déficit de hormônios responsáveis pela sensação de bem-estar ou a predisposição genética. Ocorre, no entanto, que grande parte da população ainda repercute o estigma do depressivo como uma pessoa fraca, que teria plena capacidade de sair desse quadro por si só, quando na verdade a medicina mostra o oposto.

Diante desse cenário, em que é crescente entre os jovens uma doença que pode arruinar suas vidas, é fundamental que o estado e a sociedade se mobilizem no combate à depressão. Para tanto, é necessário que o MEC promova palestras nas escolas, reunindo pais e responsáveis, nas quais psicólogos e psiquiatras possam esclarecer a esses o que é a depressão, a fim de desconstruir quaisquer preconceitos envoltos nessa doença e de possibilitar um diagnóstico precoce. Concomitante, é primordial que a família apoie os jovens nessa fase em que se encontram, fornecendo todo amparo às suas decisões, aliviando, assim, o estresse que circunda tal período.