O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 18/07/2018

Nos últimos dez anos, de acordo com os dados apresentados pelo Mapa da Violência de 2017, a incidência de suicídios entre jovens aumentou em 10%. A célere popularização das tecnologias de informação e comunicação (TICs), somada a pressão pré-vestibular e acadêmica, em paralelo a um período de inquietude e busca por integração social, são as principais causas entre depressão e consequentemente de suicídios.

O Movimento de Saúde Jovem, em parceria com a Sociedade Real para Saúde Pública, no Reino Unido, demonstrou através de uma pesquisa o caráter nocivo das redes sociais. De acordo com as evidencias, as novas TICs são mais viciantes que álcool e cigarro. O compartilhamento, principalmente, de fotos, compromete a autoimagem dos jovens, contribuindo para o desenvolvimento de um quadro depressivo.

Além das redes sociais, também recai sob juventude a pressão quanto a aprovação nos vestibulares. O problema persiste ao logo da vida acadêmica, período onde nem sempre há um suporte familiar condizente com vida estressante do estudante, e pode ter continuidade ainda após a graduação, quando os jovens profissionais são coagidos a atingirem padrões profissionais estabelecidos pela sociedade.

Consoante a Karl Marx, o ser humano é um animal social. E é na transição para a vida adulta, onde as angustias inerentes ao processo de socialização como membro ativo da sociedade, são mais intensas. Nessa fase, o jovem procura sua identidade, assim como sua aceitação, ainda que pela perspectiva da “modernidade líquida”, com relações frágeis e valores fluidos. Quanto mais reprimidos ou ignorados, mais se deprimem.

Em suma, o “mal do século”, como a depressão foi cunhada pela Organização das Nações Unidas, é uma patologia que causa grandes malefícios à saúde mental dos jovens, onde em casos mais graves podem desencadear em suicídios. A cautela quanto o uso de redes sócias, o apoio da família, Igreja ou demais instituições aos jovens e campanhas governamentais, afins de promoverem a divulgação de medidas profiláticas contra a depressão, assim como uma maior disposição de psicólogos no Sistema Único de Saúde (SUS), são medidas a serem tomadas afim de descontinuar esse mal urgente.