O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 21/07/2018

Consoante ao poeta cazuza, “Eu vejo o futuro repetir o passado,” a depressão na sociedade brasileira não é um problema atual. Desde a geração romântica do século XIX, poemas que caracterizam-se pelo pessimismo, sentimento de inadequação à realidade, ócio, desgosto de viver mostram que essa vicissitude é uma realidade. De mesmo modo, na contemporaneidade, a depressão persiste, seja pela pressão pessoal e social vivida, assim como pelo desconhecimento da doença. Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman vivemos em uma modernidade líquida, devido a inconstância e rapidez em que os processos e relações humanas se dão. Nesse sentido, os jovens são o grupo etário que melhor reproduzem tal lógica, ao buscarem atingir seus objetivos de maneira cada vez mais instantânea. O problema é que boa parte das coisas não podem ser conquistadas de maneira rápida, exigindo o tempo e a paciência que eles não estão dispostos a ofertar. Os relacionamentos saudáveis e uma boa imagem profissional, por exemplo, não são construídos instantaneamente. Diante desse impasse, muitos jovens do país estão desenvolvendo quadros de depressão por conta da frustração e ansiedade de não conquistar imediatamente o que se deseja. Outrossim, de acordo com Organização Mundial da Saúde estima-se que temos hoje no mundo cerca de 350 milhões de pessoas com depressão. Todavia, mais da metade destas pessoas não tem diagnóstico, isto é, desconhecem a doença e seus tratamentos. Consequentemente, o desconhecimento da população brasileira em relação a essa doença é igualmente fator que colabora com seu aumento entre os indivíduos. Isto porque a falta do entendimento dos mecanismos biológicos e sociais que desencadeiam a depressão e seus sintomas, fazem com que o estigma do depressivo como uma pessoa fraca, dramática e infeliz permaneça, passando a ideia de que ele escolheu ficar assim e, portanto, só depende dele sair desse quadro. Com isso, a depressão acaba sendo negligenciada tanto pela sociedade quanto por aqueles que sofrem com a doença. Sendo assim, é necessário que o país preste atenção no aumento da depressão na sociedade, para que estes cidadãos possam receber a assistência necessária e não sejam tão cobrados socialmente. Para tanto, a mídia – televisão, jornal, internet, rádio – deve abrir espaço para os psiquiatras e psicólogos discutirem os mecanismos e sintomas da doença, a fim de esclarecer a população de modo geral. Além disso, devem ser criados centros especializados no Sistema Único de Saúde (SUS) para o tratamento da doença.