O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 28/08/2018

O escritor austríaco Stefan Zweig, ao refugiar-se no Brasil em meados do século XX, escreveu um livro ufanista cujo título é até hoje repetido: “Brasil do futuro”. No entanto, quando se o observa a deficiência de medidas na luta contra a depressão entre os jovens no Brasil, hodiernamente, verifica-se que essa profecia é constatada na teoria e não desejavelmente na prática. Nesse sentido, torna-se evidente a exclusão social como uma das causas, bem como o menoscabo governamental.

Mormente, é indubitável que a questão constitucional e sua ineficiência impulsionam o problema. Segundo Aristóteles, por meio da justiça, a política deve ser utilizada de modo que o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possível perceber que a falta de esclarecimento da população, propiciada pelo governo, acerca da depressão e da disponibilização de tratamentos eficazes rompe essa harmonia, haja vista que quanto mais os jovens conhecem sobre esse distúrbio mental, maior a probabilidade de procurar atendimento se necessário, de modo que essa assistência seja eficiente. Entretanto, devido à ausência de investimentos governamentais, isso não é firmado.

Ademais, o individualismo associado ao advento da internet, decorrente da terceira da Revolução Industrial, estão entre as causas da problemática. Isso pode ser justificado pelo conceito de “modernidade líquida” de Zygmunt Bauman, que explica a queda das atitudes éticas pela fluidez dos valores, a fim de atender aos interesses pessoais, aumentando o individualismo. Dessa maneira, o sujeito, ao estar imerso nesse panaroma líquido, acaba por perpetuar sua própria exclusão, visto que muitos jovens se isolam em redes sociais visando fugir da realidade, se refugiando em sua utopia, fazendo com que a taxa de depressivos aumente cada vez mais, segundo dados da Organização Mundial da Saúde, no Brasil, o número de quadros depressivos cresceu 705% em 16 anos.

Urge, portanto, medidas para mitigar o impasse. Destarte, o Ministério da Saúde deve criar projetos de auxílio psicológico com tratamentos eficientes, intermediados por psicólogos e psiquiatras capacitados, direcionados à jovens depressivos, além de incentivar a criação e ampliação de ONGs, como a Centro de Valorização da Vida, que oferecem aconselhamentos à pessoas em crise, de modo que os leve à uma saída. Além disso, a mídia deve abordar o tema em documentários na TV e em propagandas educativas, e as redes sociais deve veicular campanhas no ambiente virtual, através da divulgação do comportamento depressivo, fatores que podem agravar esse pensamento e as formas de ajuda, visando a ampliação de informação. Assim, talvez, a profecia de Zweig torne-se realidade.