O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 28/10/2018
Hipócrates, intelectual da Grécia Antiga considerado Pai da Medicina, descreveu a “melancolia” como um estado persistente de ansiedade, desânimo, irritabilidade e falta de apetite. A psicologia atual considera essa definição aplicável ao Transtorno Depressivo, distúrbio mental que afeta mais de 300 milhões de pessoas ao redor do mundo. No Brasil, os dados são alarmantes, especialmente entre os jovens: Segundo a Organização Mundial da Saúde, a depressão é a segunda maior causa de morte entre jovens de 15 à 29 anos. Diante desse quadro se evidencia a necessidade de combate à doença, analisando as possíveis causas de seu aumento e os obstáculos para seu tratamento.
Primeiramente, é importante avaliar elementos do contexto social atual que mudaram em relação ao século passado. Um deles é a imensa influência que a mídia exerce sobre a forma de pensar do ser humano, estabelecendo padrões de consumo, beleza, sucesso, e relacionando a felicidade com esses padrões. Diante disso, o jovem sente pressão social e familiar para se enquadrar nesses ideais quase inalcançáveis, e, na busca por eles, acaba se frustrando. Outro elemento é descrito pelo sociólogo Zygmunt Bauman como a liquidez dos laços interpessoais: As relações entre as pessoas têm se tornado cada vez mais inconstantes e superficiais, contribuindo para uma sensação de solidão e isolamento. Esses fatores combinados podem desencadear um quadro depressivo.
Ademais, outro problema é a falta de informação. A adolescência por si só é uma fase conturbada da vida, período de questionamentos e conflitos internos, e muitos dos sintomas de um quadro depressivo podem ser confundidos com problemas típicos dessa fase - irritabilidade e isolamento, por exemplo. Isso dificulta o reconhecimento dos sintomas até mesmo pelo próprio indivíduo. Da falta de informação, deriva o preconceito: muitas vezes o indivíduo se encontra depressivo sem nenhum motivo aparente, e tanto a sociedade como até mesmo pessoas próximas a ele julgam isso como “frescura” ou fraqueza, desestimulando a busca por auxílio profissional.
Portanto, fica claro que é preciso dirigir atenção especial a saúde emocional dos jovens. Uma maneira seria a implantação, pelo Ministério da Educação, da disciplina de Inteligência Emocional nas escolas, para que o jovem aprenda a reconhecer e lidar com seus sentimentos. O mesmo órgão poderia tornar obrigatória a presença de um psicólogo nas instituições de ensino, facilitando o acesso dos jovens à atendimento profissional e o diagnóstico precoce de um possível problema. Além disso, as escolas poderiam promover palestras sobre a depressão para alunos e responsáveis, com a presença de psquiatras, psicológos, e pessoas que já sofreram com a doença, contribuindo assim para elucidação do tema.