O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 25/08/2018
Não são poucos os fatores envolvidos na discussão acerca do aumento da depressão entre os jovens no Brasil. “Há horas na vida em que a mais leve contrariedade toma as proporções de uma catástrofe” a frase de Camilo Castelo, escritor português, reflete a realidade dos jovens na contemporaneidade, haja vista que situações atípicas são capazes de ocasionar sérios conflitos internos. Logo, a fim de compreender o problema e alcançar melhorias, basta analisar como a pressão social e o desconhecimento da doença contribuem com essa problemática.
Em primeiro lugar, vale ressaltar que de acordo com a Organização Mundial da Saúde, a depressão é a causa de 800.000 suicídios por ano. Isso ocorre, sobretudo, em razão de fortes impactos vividos e das pressões coletivas exercidas, principalmente, sobre os mais jovens, como expectativas em relação ao sucesso pessoal, idealizações estéticas e os próprios problemas pessoais. Com isso, em um mundo marcado pela autopromoção nas redes sociais, sentimentos de inferioridade e não pertencimento podem ser despertados. Dessa forma, nota-se similaridade com o ideal do filósofo Émile Durkheim, o qual diz que a consciência coletiva é responsável pela desintegração de uma sociedade, uma vez que as imposições sociais representam uma ameaça à saúde mental de uma parcela da população
Ainda nessa questão, é fundamental pontuar que o preconceito e a falta de compreensão a respeito da enfermidade são entraves no tratamento e no diagnóstico preciso. Vale salientar que, apesar de qualquer pessoa ser suscetível à depressão, isso advém da insipiência relacionada aos mecanismos desencadeadores do problema e seus sintomas, proporcionando uma banalização do transtorno mental. Estima-se, por exemplo, que a doença, cercada de estigmas e preconceitos, atinja cerca de 30% da população de acordo com o Ministério da Saúde. Desse modo, devido à imprecisa associação populacional da doença com fraqueza,a identificação, o tratamento e a aceitação ficam comprometidos. Assim, percebe-se que a negligência pode contribuir para o agravamento da doença e a não profilaxia.
Nesse sentido, ficam evidentes, portanto, os elementos que colaboram com o atual quadro negativo do país. Ao Ministério da Educação, cabe elaborar campanhas sociais online e palestras públicas em escolas com profissionais da área de saúde mental, direcionadas aos alunos e seus responsáveis, a respeito da depressão, seus sintomas, consequências e estigmas existentes, com o propósito de viabilizar o acesso à informação e erradicar o preconceito proeminente na sociedade. É Imprescindível, também, que o Ministério da Saúde forneça tratamentos psicológicos inserindo um maior número de profissionais dessa área no Sistema Único de Saúde, por meio da redistribuição das verbas da saúde, a fim de resolver a depressão como uma patologia e tornar possível o tratamento para quem precisa.