O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 16/08/2018

A palavra depressão tem origem do latim “depressus”, que significa abatimento ou infelicidade. Fora do contexto literário, atualmente, um novo relatório de Organização Mundial da Saúde (OMS), aponta que o Brasil é o pais com maior prevalência de depressão na América Latina, principalmente em adolescentes. Tal realidade pode ser explicada pela fragilidade das relações interpessoais, na atualidade, e também pela exigência do pertencimento aos padrões sociais. Primeiramente, as relações familiares podem se destacar como uma das causas do aumento da depressão na juventude, isso porque em muitos lares, não existe mais o hábito do diálogo e da proximidade, inclusive entre pais e filhos. O sociólogo Bauman, em sua metáfora “modernidade liquida”, explica que, no mundo moderno, as relações pessoais tornaram-se fluidas e sem importância quando comparadas com a necessidade de produzir e de se manter presente no mundo virtual. Consequentemente, diante desse novo cenário, os jovens quando expõem suas angústias recebem dos pais o diagnóstico de fracos e sentimentalistas, o que os tornam ainda mais vulneráveis. Do mesmo modo, os padrões estruturados pela sociedade, por vezes, desencadeiam decepções perante o sentimento de inadequação social. Bullying, insatisfações com o corpo e o preconceito contra a orientação sexual são alguns dos fatores que compõem um conjunto de frustrações no período de transição da infância para a adolescência de um jovem, comprovando, desse modo, a intensa fragilidade dessa fase da vida para desencadear sintomas depressivos e pensamentos autodestrutivos. Prova disso, é que segundo pesquisa da Universidade Federal de São Paulo, 12% dos jovens brasileiros entre 12 e 18 anos sofrem com a doença. Torna-se evidente, portanto, o quanto as condutas sociais podem colaborar para o desencadeamento da depressão na adolescência. E para atenuar o problema, os pais devem retomar o hábito de construir laços afetivos com os filhos, por meio de diálogos passíveis que criem no adolescente a confiança para tratar de assuntos que lhe angustiam, desejando, dessa forma, identificar e tratar os casos de depressão para que consequências autodestrutivas não cheguem a acontecer. Além disso, é importante que o país preste atenção no aumento da depressão entre os jovens, para que eles possam receber a assistência necessária e não sejam tão cobrados socialmente. Para tanto, a mídia – televisão, jornal, internet, rádio – deve abrir espaço para os psiquiatras e psicólogos discutirem os mecanismos e sintomas da doença, afim de esclarecer os jovens e a população de modo geral. Além do mais, devem ser criados centros especializados no Sistema Único de Saúde (SUS) para o tratamento da doença.