O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 10/10/2018
Na obra “Madame Bovary”, o autor Gustave Flaubert retrata o cotidiano de uma mulher sem espe-rança e que vê o seu comportamento radicalmente alterado em virtude da depressão. Todavia, este tris-te cenário não se aplica somente à ficção e faz parte da vida de muitos jovens no Brasil. Desse modo, é imprescindível a análise em torno de como a romantização da doença - e a posterior negligência - alia-da ao atual papel da escola, tristemente, corroboram a persistência da depressão no contexto nacional.
Mormente, cabe destacar a importante função da herança advinda da literatura romântica no que tange à depressão. Isso se dá porque o principal objetivo dos escritores da era do Romantismo brasileiro era, frequentemente, descrever sobre a melancolia, morte e depressão. Nesse ínterim, houve a romantização da doença por parte da sociedade e a consequente banalização do mal. De acordo com a filósofa Hannah Arendt, quando um impasse se torna frequente em um determinado contexto, este passa a ser encarado como normal, ou seja, é dado como parte do senso comum e, assim ocorre com a depressão. Dessa forma, as pessoas incorporaram a doença, entretanto não as olham sob criticidade e, assim, as negligencia, o que agrava, exacerbadamente , os casos dessa doença no país.
Outrossim, destaca-se o método de aprendizagem nas escolas como fator, também, responsável pela temática. Conforme defendeu Paulo Freire em “Pedagogia do Oprimido”, a atual educação ofertada nas
escolas se assemelha a uma “educação bancária” - em que é visado apenas à memorização de conteú-dos - o que pouco prepara os cidadãos para a vida. Acerca do exposto, nota-se que as escolas não ensinam formas de combate à depressão e também não oferecem o apoio necessário às crianças e jovens que sofrem com a doença, o que dificulta a resolução dessa problemática no âmbito escolar. Co-mo consequência dessa marginalização escolar, os índices de deprimidos cresce a cada ano. Dados do
jornal “Gazeta do Povo”, apontam que existem, pelo menos, vinte milhões de brasileiros portadores da doença.
Torna-se imperativa, portanto, a adoção de medidas que erradiquem a depressão no Brasil. Para tal, compete às prefeituras motivarem a sociedade a procurarem o diagnóstico e a cura da depressão, por intermédio da promoção de palestras e debates, em locais públicos, ministrados por profissionais como médicos e psicólogos que sejam capazes de conscientizar os indivíduos acerca da tamanha gravidade do problema, a fim de que esses não negligenciem a doença e busquem tratamento. Ademais, cabe ao Ministério da Educação diminuir os casos de depressão entre crianças e jovens, por meio da criação de uma disciplina, ensinada por psicopedagogos, para que esses possam dialogar e ensinar a população infanto-juvenil meios de combate à doença. Logo, a depressão estar-se-á distante do Brasil.