O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 31/08/2018
No limiar do século XXI, a depressão aparece com um dos problemas mais evidentes na sociedade brasileira. É mediante tal questão, que muitas pessoas desenvolvem outros graves problemas de saúde, como a agitação psicomotora. Nesse contexto, é indispensável salientar que a liquidez com que as relações interpessoais são firmadas está entre as causas da problemática, haja vista que os avanços tecnológicos testemunhados na era pós-moderna podem diminuir a sociabilidade entre os indivíduos. Diante disso, vale discutir os efeitos da globalização sobre a sociedade e a importância da educação para a evolução do país, bem como a atuação do Estado no âmbito da solução desse impasse.
Em uma primeira abordagem, é fundamental destacar que a depressão afeta tanto adultos, quanto crianças e adolescentes. No drama americano “13 Reasons Why”, a jovem “Hannah” sofre de transtornos depressivos e, por conseguinte, comete suicídio. Apesar de ser uma ficção, a série demonstra o lado obscuro da depressão: o acometido isola-se socialmente, apresenta agitação psicomotora - com possível transtorno bipolar - e acumula bastante massa corporal em forma de gordura. Seguindo essa linha de raciocínio, o sociólogo Zygmunt Bauman sustenta a ideia de que vivemos em um momento de substituição de valores coletivos por valores individuais, e as relações se dão por meio de conexões fluidas que podem ser desfeitas com muita facilidade, o que gera um potencial quadro de depressão associado ao suicídio.
Outro ponto em destaque - nessa temática - é a relevância da educação para o desenvolvimento da nação. Nesse sentido, o educador Paulo Freire defende o pensamento de que, se a educação não pode transformar a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda. Fazendo jus desse conceito, é imprescindível a difusão de informações sobre os sintomas da depressão, de tal forma que a população conheça a enfermidade e, posteriormente, procure ajuda. Nessa ótica, estudos do Instituto de Pesquisas de Campinas indicam que os casos de depressão aumentaram em mais de 700% nos últimos 16 anos, o que representa um montante de 11,5 milhões de brasileiros. De maneira análoga, somente a partir do momento em que os cidadãos conhecem os sintomas dessa enfermidade, é que podem procurar a ajuda de um especialista. Sendo assim, urge a atuação do Estado.
Fica evidente, portanto, que medidas são necessárias para tratar os casos de depressão. Cabe ao Ministério da Saúde criar um projeto para ser desenvolvido na mídia e nos postos de saúde. Nesse programa, a conscientização sobre a depressão deverá ser mediada por campanhas publicitárias alarmantes e, a partir disso, os postos de saúde do país deverão dobrar a quantidade de psicólogos para atender os necessitados. Com isso, mais pessoas serão informadas e, por fim, tratadas.