O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 04/09/2018
Para Platão, “o importante não é viver, mas viver bem”. Sendo assim, fica claro que o filósofo considera o bem estar dos indivíduos mais primordial que a própria existência. Não é difícil perceber, contudo, que essa premissa está longe de se tornar uma realidade para milhares de jovens que sofrem com a depressão no Brasil. Sendo assim, entender as causas desse problema é importante para combatê-lo.
Em um primeiro plano, faz-se importante analisar os impactos das redes sociais na vida da juventude brasileira. Nessa era digital, saturada de “influenciadores”, a vida de aparências é cada vez mais comum e o ideal de perfeição constantemente irradiado no mundo virtual gera frustrações aos jovens, os quais, ao mesmo tempo que são seduzidos pela fama e pelo luxo, passam a rejeitar a sua própria realidade. Esse contexto é reflexo claro da Modernidade Líquida, abordada por Zygmunt Bauman, em que as relações interpessoais são cada vez mais superficiais e pautadas em valores supérfluos, como riqueza e poder, e em moral volúvel, visto que tudo se faz pelo sucesso e por seguidores.
Além disso, a pressão exercida pela sociedade sobre os jovens acerca do futuro também é notória. A necessidade de decisão precoce de qual área cursar, a competição por bons empregos e o medo de não corresponder às expectativas da família são alguns dos fatores que deixam a juventude em conflito, aumentando, assim, os índices de depressão no país. Isso ocorre porque, para a obtenção de um “amanhã” seguro e próspero, muitos desses indivíduos abdicam dos seus verdadeiros sonhos para realizarem àquilo que agrada as pessoas do seu convívio e, como consequência, acabam por viver de forma medíocre.
Fica claro, portanto, que o problema em voga é bastante complexo e deve ser dirimido. Em um primeiro plano, seria interessante que o Ministério da Educação estimulasse as escolas a tratarem sobre o impacto das redes sociais na vida dos alunos, ajudando-os a discernir o real da aparência, assim como a utilizar dessas ferramentas de maneira útil e produtiva, através de rodas de conversas e palestras na próprias instituições de ensino. Ademais, esse mesmo Ministério, aliado às organizações não governamentais, pode, através de debates com a sociedade, ressaltar a importância de levar em consideração não só o financeiro nas escolhas estudantis e profissionais, mas também e, principalmente, os desejos e habilidades intrínsecos a cada jovem.