O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 29/08/2018

O episódio inicial da série Orphan Black mostra a policial Beth Childs cometendo suicídio após lidar com vários problemas pessoais, inclusive a depressão. Na vida real, esse mal também acomete indivíduos ao nível de levá-los ao extremo, a morte, evidenciando um problema de saúde pública que vem se agravando no Brasil. Por conseguinte, é incontestável que os casos da doença são potencializados pelo preconceito enraizado na sociedade brasileira, aliado à forte influência das redes sociais sobre a vida das pessoas.

De forma análoga à tuberculose, que era conhecida como o mal do século XIX, a depressão, hodiernamente, atinge cerca de 322 milhões de pessoas no mundo, segundo dados do Organização Mundial da Saúde (OMS). De fato, grande responsabilidade sobre esse número deve-se à hostilidade com a qual o povo brasileiro embasado, principalmente, em estigmas religiosos e sociais, encara o tema. Nessa perspectiva, não é raro ver comentários como “isso é frescura” ou “é falta de Deus” quando alguém admite vivenciar o transtorno da depressão. Desse modo, o deputado Pastor Marco Feliciano praticou um desserviço à sociedade, em julho de 2018, ao perguntar se depressão é causada por uma “doença natural” ou por “demônios” numa rede social, causando revolta na população.

Além disso, as mídia e, principalmente as redes sociais, têm um papel fundamental no aumento do número de casos de depressão e, posteriormente, suicídio. Afinal, o culto à estética e à utópica vida plena, disseminados pelos suportes de propaganda, alimentam a busca pela perfeição entre os indivíduos da população brasileira. Nesse sentido, uma pesquisa realizada pela Sociedade Real de Saúde Pública do Reino Unido afirma que 1,5 mil das voluntárias que seguem e, portanto, amarram-se às dietas divulgadas na rede social “Instagram”, apresentam sintomas de depressão e baixa autoestima.

Portanto, para que os casos de depressão e suicídio sejam reduzidos na sociedade brasileira é necessário que o Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da educação, realize campanhas educativas, por meio de palestras e cartazes, em postos de saúde e nas escolas para tratar acerca da depressão, acabando, assim com os tabus que envolvem o assunto. Por fim, o Ministério da Saúde deve promover campanhas e programas de incentivo ao debate aberto a respeito da depressão, compostos por pessoas que conseguiram superar esse mal e psicólogos. Tal iniciativa seria propagada por meio das mídias TV, internet e rádio, a fim de estender o diálogo acerca do tema durante todo o ano. Ademais, essa ação induzirá as pessoas que sofrem com o transtorno a procurar ajuda de amigos e psicólogos para obter ajuda.