O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 08/10/2018
A obra expressionista “O grito” , de Edvard Munch, retrata um indivíduo em estado de espanto diante de um contexto social.Essa sensação assemelha-se a que se tem ao avistar o Brasil e o aumento de jovens depressivos.Hodiernamente, este triste cenário ocorre devido ao não enquadramento de cidadãos em padrões capitalistas e é acentuado pela invisibilidade em torno desta psicopatologia.
Em primeira análise, deve-se ater que a juventude está inserida, exacerbadamente, na Era Hipermoderna, dita pelo filósofo Lipovetsky. Essa tende a valorização do hiperconsumo, as conquistas materiais são essenciais e em excesso, para a inserção em determinados grupos juvenis. Dessa maneira, com a pressão social de alcançar um emprego com altos salários, passar em vestibulares concorridos e obter produtos de luxo- semelhante as de influenciadoras de redes sociais,como Flávia Pavanelli- fazem com que o jovem ao não obter esse sucesso esperado torna-se vulnerável ao isolamento e desenvolvimento da depressão.
Ademais, o estado constante de tristeza e desinteresse ainda é invisibilizado e estigmatizado pela sociedade brasileira. No período Simbolista do século XIX, Alphonsus Guimarães retrata em seu poema “Ismália”, o suicídio da jovem depressiva como um ato de loucura. De mesmo modo preconceituoso, escolas e universidades, onde a principal faixa etária suscetível a depressão - devido a mudanças hormonais, bullying e pressões por boas notas- estão inseridos, ainda são ausentes medidas que envolvam pais e alunos na abordagem e relevância de temas de saúde mental.A exemplo desta negligência social, têm-se o Colégio Bandeirantes, em São Paulo, no qual dois alunos cometeram suicídio, em 2018. Assim, o debate sobre o saúde mental é silenciado em instituições devido aos estigmas históricos, no entanto, a depressão ainda está presente no cotidiano dos jovens do século XXI.
Portanto, para abordagem da depressão a ideia de Durkhein- de que a sociedade só funciona em conjunto- deve ocorrer no país. Para isso, cabe às instituições midiáticas, como Facebook e Instagram,a veiculação de campanhas sobre consumo sustentável feita através de youtubers mostrando suas dificuldades e histórias de superações para incentivo a quebra de visões de sucesso rápido que fotos aparentam, formando jovens críticos em relação à valores essenciais para convívio social. Às escolas e universidades, é mister a obrigatoriedade de aulas interdisciplinares, de filosofia e sociologia com psicólogos sobre inteligência emocional na presença de alunos, professores e familiares para quebra de estigmas e valorização do diálogo. Assim, caminhar-se-á rumo a um Brasil com a população instruída sobre a importância da saúde mental, e distante daquele depressivo visto pelo indivíduo, na obra de Munch.