O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 11/10/2018
A segunda fase do Romantismo brasileiro, uma era literária cercada de sentimentalismo e conhecida como o “Mal do século”, ocorreu em 1838 e contemplou autores com Álvaro de Azevedo e Casimiro de Abreu. Os ultra-românticos, como ficaram conhecidos os escritores desse momento, apresentavam uma vivência pessimista e rodeada de conflitos pessoais, o que os levou a abordar em suas obras temas mórbidos como a morte, a depressão e o suicídio. Sob esse viés, observa-se que doenças mentais já eram uma realidade brasileira no século XIX. Contudo, na contemporaneidade, devido essencialmente a pressões incisivas e a forte banalização social, distúrbios psíquicos transformaram-se em doenças graves que atingem em especial um grupo: os jovens.
Em primeira análise observa-se o âmbito socioeducativo juvenil. Os institutos educacionais, atrelados a convicções familiares, têm depositado no adolescente do século XXI constantes pressões e cobranças, além de um bombardeamento gigante de informações. No ensino médio brasileiro por exemplo, jovens são induzidos, através de um sistema federal de ensino, a estudarem de forma ilimitada para conquistarem a tão cobiçada aprovação no curso pretendido. Contexto que, infelizmente, torna-se o campo ideal para o desenvolvimento de depressão e distúrbios psicoemocionais. Essa triste situação se comprova pelo resultado de uma pesquisa divulgada pelo jornal O Globo, no qual afirma que 1 em cada 3 jovens sofre de transtornos psicológicos gerados por uma carga exaustiva de estudos.
Outrossim, a rotulação de doenças mentais na juventude, subjugadas como “coisas de adolescente” ou “apenas uma fase passageira”, promove uma banalização desse mal que faz vítimas diariamente. Nesse sentido, esferas familiares e educativas não dialogam e nem exercem um papel acolhedor frente a situações que envolvam transtornos mentais. Assim, são escassas as escolas que detém em sua grade profissional, psicólogos aptos a atender um aluno depressivo, o que fomenta de forma indireta o alto índice de suicídios cometidos entre estudantes no país.
Diante dessa óptica, denota-se a carência socioeducativa vivenciada pelo adolescente brasileiro quando o assunto são seus conflitos psicológicos. Portanto, cabe ao Ministério da Educação fomentar e amparar, nas mais diversas fundações educacionais do país, palestras elucidativas e contratações de psicólogos fixos que possam exercer um papel de suporte ao aluno. Além disso, é necessário que o Governo Federal promova a propagação de campanhas midiáticas, por meio de veículos cibernéticos, como as redes sociais, que instruam famílias a obter informações e condutas adequadas que possam ajudar de forma eficaz casos que envolva doenças psicológicas. Dessa forma, depressão e outras distúrbios se transformarão em apenas uma herança literária.