O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 13/10/2018

Na contemporaneidade, a depressão é caracterizada como uma epidemia silenciosa multifatorial que acomete várias faixas etárias e não está restrita à determinadas classes sociais, haja vista que é uma doença frequentemente associada à situações perturbadoras e estressantes, que estão presentes em todos os níveis da sociedade. Nesse contexto, deve-se analisar como o excesso de cobrança por uma perspectiva de vida, ou a falta desta, provocam tal problemática.

Em primeira análise, o excesso de cobrança por uma concepção social ou profissional autoimposta ou projetada por familiares, é um importante desencadeador da depressão, na medida em que, muitas vezes, essas pessoas estão alheias às dificuldades que deverão enfrentar para alcançar tais perspectivas. Isso ocorre pela vulnerabilidade diante dos entraves cotidianos, como aborda Robson Cruz, pesquisador da PUC-SP, em entrevista concedida à TV escola, ao evidenciar que alunos de pós-graduação são mais suscetíveis a desenvolverem depressão, visto que estão imersos em um universo que os possibilita alcançar seus interesses, porém eles não são resilientes aos obstáculos que deverão enfrentar. Como consequência, essas pessoas podem entrar em um quadro de profunda tristeza, o qual pode culminar no ato mais grave da depressão que é o suicídio.

Por outro lado, a falta de perspectiva de vida também é um importante gatilho para o desencadeamento da depressão, haja vista que a ausência de expectativa leva, em amplo sentido, à ociosidade, a qual, consoante ao pensamento aristotélico, não combina com a felicidade. Isso decorre, segundo a coordenadora do grupo de estudo e pesquisa em suicídio e depressão da UERJ, durante debate veiculado nas redes sociais, da situação de privação constante, em que pessoas de classes sociais menos favorecidas estão submetidas, muitas vezes, não usufruindo de direitos básicos como educação, saúde, segurança e saneamento. Tal fato, além de conduzir essas pessoas à marginalização social, pode induzi-las à infelicidade e à supressão da vida.

Torna-se evidente, portanto, que o excesso de cobrança e a falta de perspectiva de vida precisam ser combatidos. Para isso, é necessário que escolas e universidades, como agentes de preparação para a vida social e laborativa, devem preparar os alunos para situações de adversidades, por meio de oficinas práticas que simulem situações perturbadoras e estressantes, com fito de desenvolver uma maior resiliência. Somado a isso, o Ministério Público deve garantir os direitos básicos dos cidadãos, instituindo prazos e penalidades legais, como a perda de cargos nos órgãos executivos que não cumprirem com as determinações. Tal medida, dará maior celeridade e garantia aos direitos básicos constitucionais. Dessa forma, a depressão deixará de assolar a população brasileira.