O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 15/10/2018

De acordo com a OMS, Organização Mundial de Saúde, depressão é um transtorno mental, caracterizado por tristeza, perda de interesse, ausência de prazer, sentimentos de culpa e baixa autoestima, além de distúrbios do sono ou do apetite. Hodiernamente, há um crescente, e preocupante, aumento do número de depressivos no Brasil, especialmente entre jovens de 15 a 29 anos. Tal fenômeno pode ser explicado tanto pela fluidez das relações humanas, na modernidade, como também pela irrelevância histórica dada à doença supracitada. Sendo assim, faz-se necessária uma reflexão a respeito.

Em primeiro lugar, segundo Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a sociedade vive em uma “modernidade líquida”, devido à inconstância e a rapidez em que os processos e as relações humanas acontecem. Nessa linha de pensamento, é válido destacar o papel das redes sociais na vida dos jovens. Ainda de acordo Bauman, na era da informação, a invisibilidade é equivalente à morte, ou seja, o indivíduo contemporâneo sente-se obrigado a conectar-se às redes para provar sua existência e ter a atenção de outrem, caso contrário, o fracasso e o sentimento da não aceitação podem rondá-lo, o qual corrobora o suicídio, ápice da depressão, como a segunda maior causa de morte entre os jovens no Brasil, consoante dados da OMS.

Ademais, é importante citar o menosprezo histórico dado à seriedade da presente enfermidade. No século XIX, havia um movimento literário chamado Ultrarromantismo, caracterizado por apresentar pessimismo, sentimento de inadequação à realidade, ócio e desgosto de viver. A corrente foi bastante popular, então, aquele que apresentasse tais comportamentos, era tido como portador do “mal do século”, algo visto como normal e erudito. Diante disso, constata-se o viés social negligente à gravidade do distúrbio psicológico em discussão. Semelhante indiferença gerou inúmeros prejuízos às pessoas, tendo em vista que a depressão foi enquadrada como doença apenas na primeira metade do século XX.

Fica evidente, portanto, a necessidade de políticas públicas de modo a combater o aumento da depressão entre os jovens no Brasil. Para isso, o Ministério da Saúde, juntamente com as secretarias estaduais de saúde, deve fomentar campanhas de conscientização, além de consultas gratuitas com profissionais da psiquiatria, em escolas e em universidades, de forma a promover amplos debates sobre o presente tema, para que nossos jovens mantenham-se informados acerca dos malefícios de amplos períodos na redes sociais e da necessidade de não conter seus sentimentos. Desse modo, poderemos preservar a qualidade do bem mais precioso que temos: a vida.