O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 23/10/2018

Considerada “o mal do século”, a depressão se caracteriza por um estado de tristeza, revolta e desânimo permanente. Esse mal tem sua origem ligada ao nosso modelo de vida contemporâneo, mesmo não sendo exclusivo do nosso século, estando intrinsecamente relacionada aos nossos modos de interação. Nos últimos anos, essa doença tem crescido entre os jovens brasileiros, o que pode ser explicado, em parte, pela pressão pessoal e social vivida por eles na contemporaneidade, no qual muitos não conseguem se encaixar nos padrões, assim como pelo desconhecimento da doença.

A priori, o sociólogo Zygmunt Bauman fala sobre a ansiedade e a angústia que é viver em nossa atual condição sociocultural, marcada por infinitas possibilidades de escolhas e pela falta de solidez e durabilidade. Nesse viés, o conceito da “modernidade líquida”, criado por Bauman, pode tentar explicar as ocorrências de depressão na juventude brasileira. Para o teórico, vivemos em um momento de substituição de valores coletivos por valores individuais, e as relações se dão por meio de conexões fluidas que podem ser desfeitas com muita facilidade. Assim como a água, as ligações interpessoais não têm forma concreta o que pode estar contribuindo para a solidão do jovem, ocasionando um desequilíbrio emocional, comportando-se como fator preponderante para a manifestação dessa doença.

No demais, o desconhecimento da população brasileira em relação a essa enfermidade é igualmente fator que colabora com seu aumento entre os jovens. Isto porque a falta do entendimento dos mecanismos biológicos e sociais, que desencadeiam a depressão e seus sintomas, fazem com que se desenvolva um estigma que define o depressivo como uma pessoa fraca, dramática e infeliz, passando a ideia de que ele escolheu ficar assim e, portanto, só depende de ele sair desse quadro. Com isso, a depressão acaba sendo negligenciada tanto pela sociedade quanto pelos jovens que a tem, assim dificultando seu tratamento, já que a depressão não é reconhecida como doença pela população em geral.

Portanto, faz-se necessário desconstruir padrões sociais e conscientizar a população de que a depressão é uma doença. Nesse viés, o Ministério da Educação (MEC) deve intervir, incorporando na matriz curricular nacional a educação emocional, promovendo uma maior aceitação pessoal entre os jovens e o desenvolvimento do controle emocional, assim ajudando a reduzir os casos de depressão. Outrossim, é preciso que Ministério da Saúde elabore uma campanha midiática, a ser veiculada em rede nacional, com intuito de desmistificar a depressão e conscientizar a população sobre o perigo dessa doença, e com isso desconstruindo o estigma em que o depressivo está envolto, promovendo uma maior aceitação dos acometidos dessa enfermidade por parte da sociedade.