O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 27/10/2018
Combate à depressão juvenil no Brasil
A depressão corresponde a um transtorno mental caracterizado pela tristeza recorrente, associada à falta de interesse em atividades cotidianas. Segundo a BBC, entre os anos de 1980 a 2014 o número de jovens depressivos entre 15 e 29 anos aumentou em 27,2%. A partir disso, torna-se notório que a depressão, embora seja uma doença estigmatizada, se alastra entre os jovens brasileiros. Acarretando por vezes, na exclusão social e no surgimento de pensamentos suicidas.
Os transtornos mentais são doenças comumente banalizadas. Ainda que nossa sociedade tenha sido apresentada a conceitos melancólicos e pessimistas através da literatura romântica de 1853, habitualmente conhecida como mal do século, a população enfrenta dificuldades em reconhecer a gravidade de tais sintomas no diagnóstico da depressão. Em decorrência dessa insignificância da visão social em relação à depressão presenciamos a aversão dos doentes em procurarem ajuda psicológica.
Outrossim, um agravante de suma importância relacionado a problemática consiste no suicídio. A discussão de transtornos psicológicos não é comum na vida dos brasileiros. Em instituições públicas de ensino não são abordados com frequência temas relacionados à automutilação, à valorização da vida ou a tratamentos para questões psicológicas. De acordo com o Ministério da Saúde o número de suicídios no Brasil aumentou em 12%, demonstrando a partir disso uma necessidade crescente de abordarmos o tema.
O filósofo e sociólogo Zygmunt Bauman aborda com base na teoria da liquidez proposta por ele, um dos fundamentos precursores para o aumento dos casos de depressão no Brasil. Bauman evidencia a fragilidade das relações interpessoais que norteiam nossa sociedade. Com base nessa teoria, pode-se observar a partir de quais princípios os jovens tem se tornado cada vez mais solitários e deprimidos.
Infere-se, portanto, que hodiernamente os jovens brasileiros sofrem de forma crescente com a depressão. Isto posto, cabe ao Estado em colaboração com a mídia aberta trabalhar temas que abordem a gravidade da depressão, para assim informar a população visando não mais banalizar doenças psicológicas. É também de obrigação do Ministério da Educação em associação com as instituições de ensino promover campanhas sobre a automutilação e o suicídio, como forma preventiva desses acontecimentos. Bem como, é de obrigação do Ministério da Saúde promover através do SUS, consultas psicológicas acessíveis a toda população. Com essas realizações, poderemos promover a diminuição nos índices de jovens deprimidos e por consequência tornar a vida mais agradável para essa parcela da população.