O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 29/10/2018

Durante muitas décadas, no Brasil, a depressão não era reconhecida socialmente como uma doença. No entanto, nos últimos anos, devido às mudanças culturais provocadas pelo avanço do Meio Técnico-científico-informacional, estabelecido conceitualmente pelo geógrafo Milton Santos, esse distúrbio vem se expandindo dentro do cenário nacional, principalmente entre os jovens. Diante do constante agravamento desse quadro, como consequência da instabilidade dos relacionamentos e dos padrões impostos pela sociedade, torna-se necessário debater e solucionar essa problemática brasileira.

Em primeira análise, vale ressaltar que, de acordo com o filósofo Zygmunt Bauman, vive-se uma modernidade líquida caracterizada pela volatilidade das relações interpessoais. Essa característica da vida hodierna, aliada ao uso excessivo da internet, das mídias e das redes sociais, principalmente na juventude, desencadeia em um distanciamento e isolamento dos indivíduos. Dessa forma, desenvolve-se um cenário precário de diálogo, interação e convivência, fatores essenciais para a manutenção da saúde mental humana, aumentando o risco de surgimento de doenças como a depressão.

Outrossim, evidencia-se, no país, a existência de uma indústria cultural que controla a opinião popular, por meio dos mais variados meios de comunicação. Essa estrutura de manipulação constrói uma idealização da realidade, reprimindo qualquer característica que fuja dos padrões, como ocorre, por exemplo, com a representação de uma estética única, evidente nos filmes, novelas e programas televisivos. Diante desse cenário, os adolescentes, vivenciando um período essencial de aceitação e reconhecimento pessoal, iniciam uma constante luta a fim de se encaixar na imagem socialmente aceita, porém inalcançável, sofrendo, então, uma violência simbólica, conceito definido pelo filósofo Pierre Bourdieu, que caracteriza um tipo de agressão psicológica e moral, que pode associar-se à distúrbios alimentares e de imagem, levando, muitas vezes, à depressão e, até mesmo, ao suicídio.

O aumento da depressão na juventude atual é, portanto, uma consequência das mudanças sociais e culturais ocorridas na modernidade. A fim de solucionar essa problemática, o Ministério da Educação, em parceria com as escolas, deve proporcionar, desde o início da vida, uma compreensão ampla sobre a importância do debate acerca dessas doenças, por meio de palestras que dialoguem sobre a saúde mental, guiadas por psicólogos e médicos, aliadas à atividades lúdicas que promovam a interação e cooperação entre as crianças e jovens. Objetivando enaltecer a essencialidade das conexões interpessoais para a manutenção de uma saúde psicológica e do respeito às diferenças, como gostos, modelos estéticos e classes sociais. Dessa forma será possível construir um país mais saudável e preparado para cuidar dos jovens brasileiros.