O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 31/10/2018
O escritor brasileiro Álvares de Azevedo principal expoente da geração “Mal do Século” do movimento literário Romantismo, traz em suas obras traços como: extrema angústia e um imenso desânimo diante da vida, esses pensamentos são configurados pelas ciências médicas como sintomas cruciais da doença do século, a depressão. Nesse panorama, percebe-se que o caráter impositivo da sociedade sobre o indivíduo e um sistema de saúde que não privilegia o tratamento das patologias psicológicas, tornam-se desencadeadores efetivos na perpetuação de tal psicose na sociedade, infligente veementemente nos jovens brasileiros. Logo, medidas se fazem urgentes para reverter esse cenário.
Em primeira análise, cabe destacar o pensamento do sociólogo Émile Durkheim, que diz que o poder de “coercitividade” da sociedade sobre as pessoas, influência as ações dessas nesse meio. De maneira análoga, é notório que os jovens são mais vulneráveis as imposições sociais dotadas de padrões, já que é nessa faixa etária que estão sujeitos a um processo de transição para vida adulta, concomitante com o amadurecimento psicológico e a aceitação do seu corpo, dentro de um meio midiático alienante, que dita o ideal de beleza. Outrossim, os vestibulares são outra pressão intrínseca a essa fase juvenil, visto que criam grandes expectativas em serem aprovados em uma faculdade e quando isso não acontece, muitos se retraem do convívio social e se entristecem profundamente. Nesse contexto, esses são aspectos emblemáticos, que corroboram para manutenção de mais de 11 milhões de pubescentes com depressão no Brasil, de acordo com os dados da Organização Mundial da Saúde - OMS.
Ademais, convém frisar que a OMS define saúde como completo bem - estar físico e psicológico. Embora esse conceito ressalte a saúde física e mental de forma equânime no processo de saúde - doença do homem. Na prática, é bem diferente, já que as equipes de saúde família não contam com psicólogos e psiquiatras no seu quadro de atuação, segundo o Ministério da Saúde. Nessa viés, nota-se que a ausência de tais profissionais nessas equipes, compromete imensuravelmente a prevenção, o diagnóstico e o tratamento, da psicose. Logo, enquanto tal doença for estigmatizada e não tratada como um problema de saúde pública, mas jovens serão acometidos por ela, levando até ao suicídio.
Fica claro, portanto, a prevalência e os impactos imensuráveis da depressão na vida dos juvenis. Dessa maneira, o Ministério da Saúde em parceria com prefeitura, podem incluir psicólogos e psiquiatras na atenção básica de saúde, a fim de prestar atendimento aos jovens e a toda população. Além disso, as escolas, em parceria com psicólogos, podem criar dias específicos de atendimento dentro das próprias instituições, com intuito de oferecer esse serviço ao público já abordado. A mídia deve criar propagandas explicitando as inúmeras consequências advindas dessa psicose.