O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 01/11/2018

A segunda geração do romantismo, ao utilizar um eu-lírico pessimista e melancólico, ficou conhecida como “Mal do Século”. Entretanto, em pleno século XXI, esse termo foi atribuído à depressão, que é uma doença caracterizada pela perda ou diminuição de interesse e prazer pela vida, que vem acometendo muitos adolescentes no Brasil. Segundo dados da pesquisa da Universidade Federal de São Paulo, 12% dos jovens brasileiros entre 12 e 18 anos sofrem dessa patologia. Sob essa perspectiva, observa-se que apesar da facilidade de acesso à informação, ao entretenimento e à comunicação, muitos sofrem com a doença.

Em primeiro lugar, o que contribui para o aumento da depressão entre os jovens é a pressão social exercida sobre eles, pois na busca para atingir seus objetivos de maneira cada vez mais instantânea, percebem que estão sujeitos à manipulação, onde suas possibilidades de escolhas são mais aparentes e irreais e relacionamentos saudáveis não são construídos de imediato. Nesse viés, Zygmunt Bauman, em sua metáfora “modernidade liquida”, explica que, vivemos em um momento de substituição de valores coletivos por valores individuais, e as relações se dão por meio de conexões fluidas que podem ser desfeitas com muita facilidade.

Outro agravante que tem despertado preocupação entre os especialistas, e gera controvérsias, é que ao longo dos anos observa-se que quando o tema suicídio se torna frequente na mídia, os atos e tentativas aumentam de forma considerável. Essa observação é pertinente com a realidade em que vivemos, onde a depressão é alimentada por meio do mundo virtual, que muitas vezes isola o individuo e também propõe desafios depreciativos aos adolescentes, como é o caso do jogo da “Baleia Azul” e a série “13º Reasons Why”, que relata o suicídio de uma adolescente.

Sendo assim, medidas devem ser tomadas com o propósito de amenizar esta problemática. O Ministério da Saúde deve criar cartazes educativos e orientar os profissionais a realizar palestras para expor o assunto nas unidades de atenção básica. Além disso, é de suma importância que as escolas invistam na capacitação dos educadores, para que realizem atividades em grupo com os pais e alunos, ensinando-os a diferenciar a tristeza de sintomas depressivos. Por fim, a mídia deve debater o tema com psicólogos e psiquiatras, esclarecendo a população sobre a necessidade de buscar ajuda profissional para adesão de uma terapia, e caso haja necessidade, aderir também ao tratamento farmacológico de forma consciente.