O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 02/11/2018
A segunda fase do Romantismo, no Brasil, chamada de geração Ultrarromântica, ou “Mal do Século”, se utilizava de idealizações para fugir da realidade perversa, que desencadeava a depressão profunda e o suicídio como escapismo. Na contemporaneidade, é possível afirmar que os brasileiros vivem uma nova era dessa fase literária romântica, devido ao aumento de depressão entre os jovens no país, se perpetuando como uma mazela social.
Em primeiro plano, é necessário analisar o capitalismo para compreensão do tema. O filósofo francês, Michel Foucault, abordava o conceito de “Regime de Verdade”, que tratava-se de um conjunto de discursos e padrões utilizados para dominar determinados campos sociais. Com isso, observa-se que a sociedade brasileira se baseia nessa filosofia conforme o sistema capitalista dita o caminho para chegar sucesso, com acúmulo de bens materiais e capital. No entanto, a exaustiva jornada para alcançá-lo, têm afetado, diretamente, os jovens do país, corroborando a depressão e causando uma anomia social, quando perde-se a capacidade de regular o comportamento dos indivíduos na sociedade. Um exemplo que mostra a influência do capitalismo no tema, são os vestibulares, que servem para ingressar em universidades e se valem de exames longos e duradouros, afetando a saúde mental desses jovens.
Paralelamente, a falha educacional é outro fator influenciador da problemática. As instituições de ensino estão presentes na maior parte da vida das pessoas, sendo importantes para a formação de cada indivíduo. Não obstante, o sistema de ensino exige que a formação dos educadores seja voltada somente para o conteúdo, impedindo que os mesmos aprendam a lidar com eventuais problemas relacionados à saúde mental dos alunos. Desse modo, evidencia-se a falha da educação à medida que não apresenta suporte para com o aumento do caso de depressão entre os jovens no Brasil. Um exemplo que demonstra esse erro é o caso recente de dois alunos da Escola Bandeirantes, em São Paulo, que, sem receber o devido apoio escolar, cometerem suicídio, por sofrerem de depressão.
À luz do exposto, pode-se concluir que o capitalismo e a falha educacional são fatores que auxiliam no agravamento de depressão entre os jovens no Brasil. Para solucionar a problemática, é necessário que o Governo Federal invista em campanhas e propagandas midiáticas que demonstrem o perigo da depressão e a importância de tratá-la como um doença, através das redes sociais e canais de TV aberta, para conscientizar a população jovem de que é necessário buscar ajuda profissional para curar. Ademais, faz-se necessário que o Ministério da Educação implante, nas cargas horárias de universidades de licenciatura, cursos, com psicólogos e psiquiatras, que abordem a melhor forma de lidar com alunos que apresentem a saúde mental comprometida através de debates e palestras.