O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 10/07/2019
A depressão, também conhecida como “o mal do século XXI”, é caracterizada pela tristeza sem fim e pela falta de motivações para viver, podendo surgir em qualquer faixa etária. Entretanto, a incidência é maior em fases da vida em que ocorrem grandes mudanças, como por exemplo na adolescência. As variações hormonais, os conflitos familiares e as pressões sociais são apenas algumas das causas que fomentam o aumento contínuo nos casos de depressão entre os jovens brasileiros.
A Revolução Industrial do século XVIII transformou não apenas o modo de produção, mas a sociedade como um todo, inserindo-lhe um caráter imediatista. Como reflexo, atualmente é comum os jovens serem exigidos, principalmente pela família e pela escola, a buscar mais resultados em menos tempo e a seguir o padrão de sucesso imposto pela sociedade, o que muitas vezes gera grandes frustrações.
Outrossim, a mídia também tem papel fundamental no aumento da depressão entre os jovens. As redes sociais e o marketing digital estimulam a padronização corporal e o consumismo, criando a impressão de que para ser feliz e aceito socialmente você precisa ter o corpo ideal, roupas de marca e um celular de última geração, uma realidade utópica para a maioria dos jovens no Brasil. Ademais, as redes sociais são palco da Modernidade Líquida, conceito criado pelo sociólogo polonês Bauman, em que afirma a superficialidade e volatilidade dos relacionamentos atuais, causadas pela tecnologia e pelo imediatismo.
Por conseguinte, a pressão social para atingir um futuro de sucesso, a padronização de comportamentos e aparências aliados às relações interpessoais frágeis e rápidas, contribuem para a difusão da depressão entre os jovens no país. Diante disso, é imprescindível mais debates sobre o assunto nas escolas, a fim de conscientizar os jovens e as famílias, além da disponibilização de psicólogos e grupos de apoio nas instituições educacionais. Também é fundamental a facilitação ao acesso para tratamentos psiquiátricos e medicamentosos pelo SUS.