O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 04/04/2019

Numa sociedade distópica onde não existe tristeza, insatisfação ou depressão, é aquela apresentada no livro “Admirável Mundo Novo”, no qual todos são controlados quimicamente pelo Soma, uma droga que produz o efeito de felicidade e bem estar. Mas numa sociedade real, esses transtornos mentais, principalmente a depressão, são negligenciados, e, por isso, pessoas acometidas por esses distúrbios não buscam por tratamento adequado. Como resultado, há um aumento significativo, principalmente entre os jovens. Desse modo, faz-se necessário discutir os principais fatores dessa problemática.

O que chama a atenção na sociedade, do século XXI, é o fenômeno da obsessão pelas redes sociais. Pois apresentam realidades utópicas, com imagens, a todo o momento, de felicidade e de prosperidade, e a juventude é a parcela mais acometida por esses falsos cenários. Por consequência, devido a autocobrança e a busca inatingível por aquelas satisfações, ela desenvolve a depressão. No conceito da “modernidade líquida”, criado por Zygmunt Bauman, pode-se tentar explicar as ocorrências de depressão na juventude brasileira. Para o teórico, a sociedade está em um momento de substituição de valores e de relações sem profundidade.

Outro aspecto relevante é o suicídio, entre as principais causas estão as questões relativas à convivência em grupo, identificação pessoal, escolha profissional e problemas familiares. Esses fatores podem possibilitar a ocorrência de sofrimento na vida dos jovens, que não conseguem administrar e acometem o próprio assassinato. Com isso, relações entre os adolescentes e a sociedade se afrouxaram, fazendo com que eles não vejam mais sentido na vida e não tenham mais razão para viver. Conforme dados publicados pela Organização Mundial da Saúde, estima que, no Brasil, ocorram 12 mil suicídios por ano, e que entre jovens de 15 a 29 anos, foi a segunda maior causa de morte em 2015.

Sendo assim, torna-se evidente a urgência de medidas para alterar esse cenário. Um trabalho conjunto entre o Ministério da Saúde e familiares é o acolhimento desses jovens, combinado com fatores psicológicos e sociais para o tratamento desses transtornos mentais. O primeiro, por meio de ofertas de tratamentos psicológicos, capacitação de profissionais para identificar casos de depressão dentro das escolas e ampliação de campanhas como Setembro Amarelo, que visa prevenir e diminuir casos depressivos. Já o segundo, pode resgatar diálogos e ser mais participativo na vida desses jovens. Assim, eles terão novas possibilidades e descobertas positivas da realidade que o cercam.