O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 06/05/2019

Na segunda geração do Romantismo, conhecida como “mal do século”, os autores evidenciavam nas suas obras a melancolia, a angústia e o pessimismo exacerbado perante a vida.De maneira análoga à literatura, essas características estão presentes na depressão, a qual afeta de modo significativo os jovens da hodierna sociedade brasileira. Dessa foma, faz-se relevante analisar como as pressões sociais e a carência das relações familiares contribuem para essa funesta situação.

Em primeiro lugar, as coerções sociais é um fator que colabora para a manutenção dessa chaga.Nessa perspectiva, o sociólogo Émile Durkheim, no conceito de coercitividade, fala que a sociedade força os indivíduos a adequarem-se a determinados padrões e princípios morais. Sendo assim, na passagem da juventude para idade adulta, os jovens são pressionados a seguirem protótipos, como a ter bons desempenhos na escola, no vestibular, a escolher uma profissão considerada mais prestigiosa. Contudo, muitas vezes esses objetivos não são alcançados. Em virtude disso, tem-se adolescentes que cada vez mais desenvolvem psicopatologias (depressão, transtornos de ansiedade e bipolaridade) as quais podem levar ao suicídio.

Em segundo lugar, a ausência da família colabora para o problema vigente. Nesse sentido, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, na sua teoria da “Modernidade Líquida”, coloca que as relações pós-modernas são fluidas e superficiais. Assim sendo, os pais não possuem proximidade com os filhos, ou seja, não sabem por quais problemas eles estão enfrentando ou até mesmo associam os sintomas da doença a sinais típicos da idade. Por consequência, fica mais complexo para o enfermo procurar ajuda de um profissional, o que auxilia o desenvolvimento de quadros mais graves da enfermidade.

Fica evidente, portanto, que é necessário combater de modo pressuroso a depressão entre os jovens. Em razão disso, cabe ao Ministério da Saúde em conjunto com a escola, promover a conscientização sobre a doença nessa faixa etária e uma melhora na saúde mental, por meio de oficinas e palestras educativas, além de aconselharem a procura de ajuda profissional para termos jovens mais saudáveis. Além disso, concerne à família ser mais responsável pela vida do adolescente, por intermédio de conversas e participação de forma efetiva no cotidiano desse. Sendo assim,é possível uma nação mais sadia e distante do pessimismo dos autores da segunda geração romântica.