O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 10/06/2019

A depressão, outrora denominada melancolia ou tristeza profunda, é um problema preocupante nos tempos hodiernos, a despeito de todas as comodidades e facilidades deste. De alto grau de sofrimento psicológico e potencialmente incapacitante, a doença depressiva recrudesce e incide principalmente na população jovem, pautada nos variados fatores de pressão sociais e individuais, na incompreensão de sua etiologia e no seu combate ineficiente. Deve, desta forma, ser entendida no que, em última análise, representa uma grave ameaça à vida.

Em primeiro lugar, é importante compreender que a depressão tem como principal pano de fundo variáveis social e psicologicamente impostas, inerentes a uma geração que embora viva melhor do que as outras, padece do paradoxo de sofrer justamente por isso. Decerto que, em uma sociedade estruturalista, na qual o que importa são as coisas, o ter em detrimento do ser, a estrutura ao invés das pessoas, fatores como a realização profissional, exposição da vida perfeita, aceitação sexual e bullying podem ser insustentáveis para um jovem, levando-os à frustações e depressão. Levando-os à “perda do brilho do ser”, conforme dizia Freud.

Por outro lado, a incompreensão de sua multicausalidade concorre para um estigma cruento, para um combate ineficaz e a desfechos imprevisíveis. Não à toa, os casos de depressão no Brasil cresceram 700% em 30 anos, de acordo com o relatório da OMS, dado que pressupõe consequentemente incapacidade laboral, abuso de drogas e suicídio, seu pior desfecho. Suicídio, aliás, é a quarta causa de morte entre jovens. No entanto, a rede de saúde não está preparada para acolher, rastrear, diagnosticar e principalmente, prevenir. Faltam profissionais capacitados, abordagem educacional e maior capilarização do tema na sociedade. Não se trata, portanto, de problemas individuais pontuais, e sim, coletivo. E como tal deve ser abordado.

Assim, o estabelecimento de projetos de atendimento da demanda espontânea, com escuta qualificada e acompanhamento psicoterapêutico em escolas e universidades, por meio dos Núcleo de Apoio ao Saúde da Família - NASF, contribuiria para maior apoio e acompanhamento da população de risco ao passo que rastrearia potenciais casos da doença. Fortaleceria, assim, o caráter protetivo do processo. Bem como, a instituição de opções de botões de ajuda pelas redes sociais, diretamente vinculadas ao CVV – Centro de Valorização da Vida, com caráter espontâneo de procura, de forma a atingir o maior público envolvido e não somente proteger, mas também evitar este mal nefasto que nada tem de efêmero, nada tem de passageiro, mas sim de trágico e de ameaçador.