O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 30/05/2019
A expressão ¨Mal do século¨, original de René de Chateaubriand- escritor e diplomata francês- foi designado para se referir à crise de crenças e valores do século XIX, particularmente no contexto do romantismo. De maneira análoga, a depressão foi considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como o ¨Mal do século XXI¨. Nesse contexto, a problemática do aumento da depressão entre os jovens no Brasil, questão de saúde pública mundial, persiste intrinsecamente relacionada à realidade do país, seja pelas relações sociais contemporâneas, seja pelo estigma negativo associado ao diagnóstico e ao tratamento efetivo da doença.
Convém ressaltar, em primeiro plano, que o aumento da depressão na sociedade brasileira advém, em muito, do desequilíbrio das necessidades humanas e do suprimento das mesmas. De acordo com a Associação de Brasileira de Psicanálise cerca de 10% dos adolescentes brasileiros sofrem de depressão. Sob esse viés, está o imediatismo e a frustração com as relações sociais modernas que são, muitas vezes, um gatilho para a origem da depressão e de outras doenças psicológicas. Desse modo, é possível uma conformidade com o conceito de ¨Modernidade Líquida¨, cunhado pelo filósofo e sociólogo polonês Zygmunt Bauman, para caracterizar a inconstância e a fragilidade das relações humanas , características que surgem para desarranjar todas as esferas da vida social.
Outrossim, o preconceito associado ao diagnóstico e ao tratamento da depressão corrobora com a perpetuação dessa problemática. Segundo uma pesquisa realizada pelo Ibope em 2017, 2 em cada 10 brasileiros admitem ter algum tipo de preconceito. Diante do exposto, é possível avaliar a referência como pertinente, haja vista que, o preconceito é a principal causa da resistência dos jovens em procurar ajuda em saúde mental. Tal cenário compromete a recuperação e reabilitação das pessoas que sofrem dessa doença, o que interfere diretamente na autonomia, na independência e na qualidade de vida em sociedade.
Portanto, a fim de conscientizar a população brasileira e concomitantemente fortificar as relações sociais, é necessário que o Ministério da Educação e Cultura (MEC) crie, por meio de verbas governamentais, campanhas e debates nas escolas a cerca do tema, sendo estes eventos abertos a população civil, sugerindo ao interlocutor se informar sobre o assunto e buscar tratamento, além de desenvolver relações baseadas na empatia e no respeito.