O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 02/06/2019

O Preço da Modernidade

Dados internacionais mostram uma espécie de epidemia da depressão, que se espalha, em todo o mundo de modos modernos. A Organização Mundial da Saúde (OMS), revela que a depressão é a principal doença entre jovens de 10 a 19 anos. Sabe-se também que após a Revolução Industrial, o mundo estava a todo vapor e junto com a maquinofatura, alto consumo e grandes jornadas de trabalho, a sociedade foi levada a ser produtiva a todo tempo. E cada nova geração tem vivido sob maior risco que aquela que antecedeu no decorrer da vida.

No Brasil, 21% dos jovens entre 14 e 25 anos têm sintomas de depressão, segundo levantamento feito pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Nesse século houve uma grande erosão no núcleo familiar, o dobro de divórcios e redução do tempo que pais têm com seus filhos. Em geral, famílias estão cada vez menores e as crianças não são mais educadas conhecendo outros membros da família. De acordo com o livro “Inteligência Emocional” de Daniel Goleman, a perda dessas referências para a auto identidade geram uma maior susceptibilidade à depressão.

Ademais, em tempos antigos as pessoas já nasciam com seu futuro pré encaminhado. A pequena mobilidade de classes dificultava as oportunidades dos menos privilegiados. No presente, com o mundo globalizado, a maioria dos jovens podem ser o que quiserem. O que fazer com tanta responsabilidade? São protagonistas de um mundo que nunca foi vivido e a depressão e a falta de um sentido na vida são apenas consequências da pressão constante. Como consequência disso, Vitor Frankl, neuropsiquiatra austríaco percebendo a falta de vontade de viver nas pessoas e seus vazios, fundou a Logoterapia, que ficou conhecida internacionalmente por abordar de forma psicoterapêutica a busca pelo sentido da vida.

Por isso tudo, entende-se que a depressão pode ser significativamente diminuída se tratada de modo preventivo, ensinando às crianças meios produtivos de ver suas dificuldades. Assim, deve-se inserir programas após as aulas com psicólogos do próprio colégio, onde as crianças aprendam aptidões emocionais básicas, lidar com discordâncias, pensar antes de agir e contestar as crenças pessimistas associadas à depressão. Tratando precocemente os sintomas, a porcentagem de reincidência em alguma época da vida será muito menor.