O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 01/06/2019

O filósofo e escritor alemão Goethe, em sua obra prima “Os Sofrimentos do Jovem Werther”, retrata a dramática história de um jovem consumido por um amor platônico, tristeza profunda e sacrifício, que eventualmente aniquila seu existencialismo. Tal romance, hoje, ilustra o problema epidêmico da depressão e seu auge nos jovens e adolescentes brasileiros, contribuindo para a crise de saúde pública. Sem dúvidas, a liquefação das relações sociais e a cultura do consumismo são alicerces desse problema.

Em primeiro lugar, é preciso apontar que a facilidade na qual as relações de comunicação e interação se rompem nos cenários familiares e comunitários implica na problemática. Assim, percebe-se a adoção pelos jovens do conceito de modernidade líquida de Zygmun Bauman, em que predomina e se manifesta o afastamento e dissolução de formatos sociais, como família, escola e sociedade, em virtude do desenvolvimento tecnológico desenfreado. A rigor, privilegiam-se relações volúveis e relacionamentos virtuais que se formam rapidamente e desfazem-se na mesma velocidade. Fica evidente, portanto, que o jovem do século XXI se isolou numa espécie de “bolha social”, cultivando a cultura do individualismo e de sentimentos negativos em sua mente.

Outrossim, a ditadura do consumismo, aliada a necessidade de se adequar a padrões pós-modernos, também intensifica o mal da depressão. Realidade, essa, explicada no “Manifesto Comunista”, no qual Marx diz: “Que como Deus, o capitalismo cria um mundo e uma forma de vida a sua imagem e semelhança”. Dessa forma, entende-se que os jovens, em suma essência, foram reduzidos a uma mercadoria, perdendo suas relações afetivas-psicológicas e toda sua subjetividade. Deste modo, enquanto “mercadorias”, os jovens procuram formas de se adequar, como a plastificação corporal e o consumo exacerbado. Contudo, incapazes de “saciar-se” e encaixar-se nesse cenário materialista, implode o adoecimento neuronal.

Logo, são necessárias ações para combater o problema da depressão nos jovens brasileiros. Compete a escola e família, mediante palestras, fóruns e atividades, trabalhar o coletivo em sala de aula e na comunidade, mostrando a importância das relações humanas duradouras. Ainda, é dever do Ministério da educação, por meio da inserção de profissionais de saúde mental na escola, rastrear aqueles jovens com sinais de depressão, promovendo uma atenção precoce e continuada. A família, por sua vez, precisar frear a necessidade de conexão virtual  e consumo exagerados, focando em relações afetivas e interativas. Finalmente, cabe ao governo, massificar campanhas publicitarias sobre o combate a depressão e a forma de identificá-la.