O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 03/06/2019

O papel da família frente ao crescimento da depressão entre jovens

Na definição do Dr. Drauzio Varella, “depressão é uma doença psiquiátrica crônica e recorrente que produz alteração do humor caracterizada por tristeza profunda e forte sentimento de desesperança”. O aumento dessa doença entre jovens é alarmante. Por ser uma “epidemia” recente, os pais e familiares na maioria das vezes não estão preparados para enfrentar a doença junto com o paciente, que requer- além do tratamento psicológico e medicamentoso- cooperação familiar para a cura do doente.

É necessário frisar que o pensamento de que a depressão em jovens é apenas “frescura” ou vai passar junto com a fase é uma ideia errônea e ultrapassada. Dados divulgados pela UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), após um levantamento feito em 2014, revelaram que mais de 21% dos jovens brasileiros entre 14 e 25 anos têm sintomas de depressão e 5% já tentaram suicídio. Isolamento, irritabilidade, rebeldia e melancolia são sintomas facilmente confundidos com as fases da juventude, tornando a percepção da doença pela família ainda mais difícil.

É preciso considerar que fatores familiares contribuem expressamente para o desenvolvimento da depressão entre jovens, de forma ativa e passiva. Desde a predisposição genética familiar até fatores externos – brigas no seio familiar, dependência química, crises financeiras – influenciam de forma considerável o desenvolvimento da doença, podendo chegar até o ponto mais crítico, que é o suicídio, o qual é apontado como 3ª maior causa de morte de jovens no Brasil, dado esse mostrado pela mesma pesquisa realizada pela UNIFESP.

Ainda convém lembrar a forte onda de automutilação que ocorreu no Brasil nos dois últimos anos, prática que, segundo os próprios jovens mutilados, “a dor física era mais suportável do que a emocional”. Tal prática acendeu um alerta a essa temática, colocando à mesa o tabu de que a automutilação – na maioria das vezes causada pela depressão – era realizada para chamar atenção da família ou do meio social em que o jovem estava inserido.

O tratamento precoce, portanto, associado ao uso de medicamentos e à tratamentos psicológicos é a melhor forma de prevenir o crescimento dessa doença crônica que afeta mais de um quinto dos jovens brasileiros. Cabe também à família, tratar a doença de forma holística, resolvendo problemas internos e buscando um ambiente de convívio o mais pacífico possível, para que o doente possa se recuperar de forma mais ágil, colocando em prática a frase de Augusto Cury, “nunca despreze as pessoas deprimidas. A depressão é o último estágio da dor humana”.