O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 19/06/2019
O sofrimento silencioso
De acordo com o Datasus, Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde do Brasil, as mortes relacionadas à depressão cresceram 75% nos últimos 16 anos. Nesse sentido, é perceptível a relação entre o aumento das ocorrências dessa enfermidade e as conjunturas atuais da realidade vivida pela população brasileira. A partir dessa perspectiva, pode-se afirmar que o combate a essa doença perpassa o entendimento de suas causas, como o modelo de sociedade vivenciada e as relações interpessoais contemporâneas.
Seguindo essa linha de pensamento, se faz necessário uma análise da ideologia socioeconômica predominante para uma melhor compreensão dos transtornos depressivos. De acordo com Marta Pinheiro, professora de psicanálise da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o mundo do consumo, proeminente na contemporaneidade, e que valoriza majoritariamente possessões materiais e o imediatismo, acaba gerando uma falta de noção de utilidade e de projetos futuros nas pessoas devido a esses fatores. Então, tomando por base essa reflexão, é possível a constatação de que essa importância excessiva dada a aspectos externos e imagéticos do cotidiano faz com que muitos indivíduos não se sintam pertencentes ao meio social em que convivem, já que essa ideia frequentemente deriva de quanto uma pessoa possui de bens e não pelo que ela é, abrindo assim, caminho para o desenvolvimento de distúrbios como a depressão por parte destes.
Em segundo plano, é conveniente atentar para o aspecto de que a mudança das formas de relacionamento e comunicação também influencia a problemática apresentada. Sobre essa temática, Zyngmunt Bauman, sociólogo polonês, teorizou que o advento da modernidade traria um afrouxamento das conexões interpessoais, resultando em uma sociedade mais egocêntrica e cheia de incertezas. Assim, essa concepção de mundo preconizada por Bauman e que é observada em muitos tecidos sociais atualmente, impulsionada em grande parte pelas novas mídias digitais de interação, tende a gerar um sentimento de solidão e afastamento dos seres humanos, favorecendo patologias emocionais.
Entende-se, portanto, que os distúrbios depressivos entre os jovens estão associados a questões estruturais e humanas no contexto brasileiro. Então, a fim de amenizar essa questão, os Ministérios da Saúde e Educação, em conjunto, devem lançar uma campanha nacional anual de engajamento no combate a esse transtorno mental em mídias sociais, canais de comunicação e nas escolas do país, por meio de debates e palestras com psicólogos e neurocientistas, demonstrando a importância da atenção com esse problema pela população, para que ninguém mais precise sofrer em silêncio.