O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 22/06/2019

Depressão: o mal (in)visível.

A segunda geração do Romantismo ficou conhecida como Mal do Século, por conter obras que refletiam a ausência da alegria de viver, o pessimismo e a melancolia vivenciada pelos escritores. Análogo a isso, têm-se o comportamento contemporâneo, que fez ressurgir com visibilidade a doença  crônica que é a depressão, e como os efeitos da pressão social e o não uso da inteligência emocional podem ampliá-la, principalmente no caso dos jovens.

Em primeiro lugar, faz-se necessária a análise sobre a contradição que envolve o Brasil no ranking de países mais deprimidos no mundo. Pesquisa realizada em 2012 pela BMC Medicine, declarou estar em terceiro lugar o país da folia, do Carnaval e das pessoas receptivas. Este fato demonstra a relatividade do conceito de felicidade e, além disso, a pressão social induzindo as pessoas a se mostrarem constantemente bem sucedidas e camuflarem suas angústias. Um exemplo claro sobre isso são as redes sociais, que mascaram o verdadeiro ser ao propagarem apenas selfies e postagens com sorrisos e vidas sem defeitos.

Dessa forma, essa imposição sobre reprimir fraquezas e não buscar o autoconhecimento emocional, afeta principalmente os jovens em sua fase de transição. Aliado a isso, têm-se um mundo globalizado, em que a concorrência em vários setores e cobranças sociais foram amplificadas. É nesse ínterim que surge a depressão, desencadeada por fatores de caráter genético ou social, trouxe aos jovens estigmas do ser fraco, ao não corresponder a esse mundo idealizado e ao pré-conceito de ser louco, ao optar por procurar ajuda através de um psiquiatra. Logo, a inteligência emocional para se automotivar diante de frustrações entra em declínio, dando vazão ao sofrimento psíquico e físico, o que corrobora a depressão como o último estágio da dor humana, ao não encontrar mais motivos à própria vivência, fato atestado por Augusto Cury.

Portanto, nota-se a depressão como um problema de saúde pública, agravada principalmente na juventude por serem apresentados a constantes mudanças e várias possibilidades. Por isso, a Mídia - redes sociais, novelas e jornais - aliada ao Ministério da Educação (MEC), podem através de propagandas em horários nobres e palestras e campanhas em instituições de ensino, demonstrar que o diálogo é a melhor forma para que as consequências e a negligência para com a depressão sejam evitadas. Dessa maneira, ao se trabalhar com a comunidade e reforçar esta ação em escala nacional, irão se catalizar mudanças sociais em prol da empatia. Para que assim, o país da folia não seja mais um papel idealizado e o Mal do Século permaneça no século XIX.