O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 10/08/2019
No século XIX, Goeth retrata em seu livro “Os sofrimentos do jovem Wether” o sofrimento do protagonista que encontra no suicídio a cura para as dores de um amor não correspondido. Fora da ficção a realidade do mundo contemporâneo não é diferente, pois com a evolução da sociedade os indivíduos vem sendo cada vez mais cobrados a mostrar resultados. Tais cobranças proporcionaram espaço para que os casos de depressão e suicídio tenham aumentado absurdamente, inclusive no Brasil - segundo a OMS, o país registrou 11,5 milhões de casos de depressão em 2015-.
Diante do cenário atual dos indivíduos, bem como as cobranças, se encaixam os estudos do sociólogo Zygmunt Bauman a respeito da sociedade, e exclusivamente sobre o sujeito líquido, onde o estudioso destaca que as mídias sociais e as novas tecnologias da atualidade acabam por formar indivíduos sem identidade nata; sendo moldados pelos paradigmas e desejos da sociedade. Trazendo tal pensamento para os principais impasses a respeito da depressão, destaca-se os episódios de bullying muitas vezes gerados pela constante esteriotipação do indivíduo, que tenta ditar como deve ser sua aparência ou modo de vida ideal. Quando tal desejo não é alcançado recai sobre a maioria da pessoas uma intensa frustação que muitas vezes desencadeia a depressão.
Há de se atentar também para as consequências geradas pela depressão e por suas causas, como as mídias sociais que vem causando o esfriamento nas relações interpessoais dos sujeitos fora do mundo virtual, devido principalmente à superficialidade de tais “amizades”, gerando sentimentos de solidão ao desligar dos aparelhos. Abusos e casos de violências físicas ou verbais podem gerar traumas pessoais e consequentemente desencadear ou agravar a doença em determinados períodos da vida do indivíduo.
Portanto, é imprescindível que medidas sejam tomadas afim de se solucionar as causas que levam à depressão; a começar pelo modo que a população trata a doença e os sujeitos que sofrem com ela, extinguindo o tabu que refere a ela como frescura ou meio de chamar atenção, procurando entender quão séria é a patologia através de palestras oferecidas pelo governo para ampliar o conhecimento de todos a respeito do assunto. Ademais, o Ministério da Educação juntamente com as escolas devem realizar campanhas sobre a valorização da vida para todas as faixas etárias, principalmente entre os jovens em diversas épocas do ano, não se restringindo somente ao Setembro Amarelo, com a finalidade de ajudá-los a identificarem a doença, como também oferecer apoio a eles juntamente com profissionais como psicólogos presentes também no ambiente escolar além dos postos de saúde públicos convencionais.