O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 09/07/2019
A geração literária ultrarromântica do século XVIII foi um movimento artístico-cultural pautado na dor, no tédio e na evasão de realidade, no qual projetava-se um modo de vida depressivo como único possível para enfrentamento da realidade. Longe de ser uma variável sazonal, contudo, a depressão perpassa os séculos e atinge um caráter epidêmico na contemporaneidade, sobretudo entre os jovens, pautada nas pressões sociais e individuais que associadas a dificuldade de tratamento elevam a doença a um alto grau de sofrimento psicológico, traduzido, em último grau, como uma ameaça à vida.
É importante salientar, em primeiro lugar, que a depressão vem se estabelecendo como a principal doença da adolescência e representa, conforme dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), a segunda causa de mortes por causas externas entre jovens no Brasil. Recrudescente a partir de meados do século XX, o agravo deve ser entendido por sua etiologia, cujo pano de fundo abrange as imposições por realização profissional, busca pela vida perfeita, hiperexposição em redes sociais, por aceitação sexual e aquelas advindas do bullying e uso de drogas. Fatores que quando encarados por um jovem, este pode essencialmente não suportar, levando ao sofrimento, depressão e não raro, suicídio. Indignidade ou coragem, segundo Durkheim, o suicídio é, sobretudo, um irremediável. Problema é que a população jovem isso não percebe.
Por outro lado, vislumbrando a depressão sob a ótica de seu combate, no âmbito coletivo, nota-se que há muitas dificuldades no tocante a falta de estrutura das redes de saúde. O baixo número de profissionais, a falta de uma abordagem em escolas e famílias, a não capilarização da divulgação do tema no tecido social concorrem para a construção de verdadeiro estigma. Dessa maneira, tais dificuldades agravam o déficit preventivo que há no país, evidenciado, por exemplo, pelo crescente número de casos de depressão e suicídio entre jovens e adolescentes. Não se trata, portanto, de problemas pontuais, mas sim, coletivo. E como tal deve ser abordado.
Assim, a intensificação de programas como o “Setembro Amarelo”, através dos Núcleos de Apoio ao Saúde na Família – NASF, de modo a envolver escolas e igrejas com atendimentos coletivos e individuais, seriam eficazes na conscientização da população e no rastreio de potenciais casos, fortalecendo o caráter de proteção. Bem como, a instituição de opções de botões de ajuda pelas redes sociais, diretamente vinculadas ao CVV – Centro de Valorização da Vida, estabelecendo o caráter espontâneo da procura e atingindo o maior público envolvido, de forma a não somente proteger, mas também evitar este mal que nada tem de romântico, nada tem de passageiro, mas sim de trágico e que ameaça o bem mais soberano: a vida.