O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 29/07/2019

No decorrer da história, a humanidade passou por diversos períodos de transformação. Assim, quando isso ocorre, mudam-se as estruturas sociais e inter-relações, o que abala a mentalidade dos cidadãos, principalmente de adolescentes, que estão em fase de aprendizado. Nesta lógica, a partir da Revolução industrial, com a urbanização e desenvolvimento tecnológico, houve um enfraquecimento nas relações entre os indivíduos, o que corrobora para o aumento da depressão entre os jovens na contemporaneidade brasileira.

Em primeira análise, é notável que o número de jovens com depressão em países desenvolvidos é maior. Desta forma, observa-se que há uma correlação entre urbanização e a ascensão de problemas psicológicos na população. Isso ocorre porque, diferentemente de quem vive no meio rural, o qual é menos complexo e mais coeso, a cidade é um local onde o indivíduo é constantemente exposto ao estresse, à ansiedade e à violência urbana. Por conseguinte, estes fatores coadunam e moldam o comportamento civil, o que se torna evasivo e dificulta a interação com outrem. Tal cenário pode ser comparado ao período literário Arcadismo, em que os poetas viam nas cidades um local de caos e buscavam a paz nos campos.

Outrossim, como dito pelo sociólogo Zygmunt Bauman, a sociedade hodierna vive numa época em que os relacionamentos humanos são fracos, o quais são comparados a liquidez da água. Esta descrição exemplifica o contexto atual, pois o cidadão urbano, por mais que esteja rodeado de pessoas, tem dificuldade de se conectar ao coletivo. Da mesma maneira, o ambiente virtual faz com que o indivíduo se sinta ainda mais deprimido ao ver nas redes sociais pessoas exibindo uma vida que parece perfeita, e, inevitavelmente, ao comparar-se tem a sensação de ser o único que sofre. Logo, vive-se em uma conjuntura propícia ao desenvolvimento e agravamento da depressão.

Depreende-se, portanto, que é mister estratégias para combater o aumento da depressão nos jovens. Desse modo, é dever do Ministério da Saúde, mediante campanhas midiáticas, divulgar informações sobre a depressão, para desmistificá-la e incentivar os jovens e famílias, sobretudo de áreas urbanas, a procurarem ajuda profissional caso demonstrem sintomas depressivos. Não apenas, o Ministério da Educação tem de ministrar aulas extracurriculares sobre saúde mental, a fim de conscientizar a população. Só assim, os brasileiros terão uma vida de melhor qualidade nas cidades.