O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 18/07/2019
A sociedade contemporânea demonstra-se em crise no âmbito da saúde mental, com isso muito se tem comentado que o século XXI é marcada por uma patologia: A depressão. Dessa forma, a realidade brasileira não dista deste preocupante panorama, sendo o palco do aumento da depressão entre jovens, o que é reflexo de um corpo social degradado que impõe um estilo de vida prejudicial e negligência a discussão sobre a temática.
Em um primeiro plano cabe mencionar que a sociedade capitalista incentiva a produtividade e o reconhecimento. Assim, as pessoas vivem em torno de conquistar mais e melhores coisas, o que gera a competitividade, o estresse e principalmente, relações efêmeras. Esse contexto, acaba intensificado os transtornos depressivos, visto que as pessoas desenvolvem sentimentos de solidão e insuficiência, o que atinge principalmente os jovens, pressionados por serem o “futuro da nação”. Em suma, esse cenário é bem descrito pela frase do sociólogo Zygmunt Bauman: “estamos todos numa solidão e numa multidão ao mesmo tempo”, o que corrobora para dados como o da Organização Mundial da Saúde que diz que no Brasil, o número de quadros depressivos cresceu impressionantes 705% em 16 anos. Paralelo a isso, o tabu é um grande estimulador da situação, uma vez que, falar sobre o assunto empodera. Isto é, um corpo social que debate acerca da problemática constrói uma sólida intervenção, haja vista que as pessoas passam a ter conhecimento sobre a gravidade, os sintomas e os tratamentos, além de permitir que os atingidos pela doença tenham espaço para a exposição da dor. Todavia, no Brasil ocorre o oposto dessa abertura, pois o assunto ainda é negligenciado nas escolas, famílias, mídias e ruas, mas também, muitas vezes é erroneamente tratado como “frescura” ou “falta do que fazer”.Desse modo, há a perpetuação de uma realidade social que favorece o fato de o Brasil ser o terceiro país mais depressivo do mundo, de acordo com estudos de 2011 da BioMed Central (BMC). Dado o exposto, evidencia-se a necessidade de medidas intervencionista de ordem político-social. Para tanto, o Ministério da Educação deve promover palestras com especialista em saúde mental, abordando a depressão do ponto de vista patológico, demonstrando suas causas, sintomas, tratamentos e consequências, estimulando assim, espaço de laços e exposição de diálogos. Somado a isso, o Ministério da saúde precisa fortalecer e divulgar centros como o CVV (Centro de Valorização da Vida), concomitante,deve haver investimento no atendimento especializado no Sistema Único de Saúde. Somente assim, será possível reverter o título de povo depressivo e apático.