O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 20/07/2019

Durante a segunda fase do Romantismo no Brasil, conhecida como ultrarromântica, jovens literários, a exemplo Alvares de Azevedo, demonstravam em suas obras uma vida “regada” de incertezas e problemas existências. Não obstante, longe da ficção, tal literatura mostra-se cristalina quando observamos o quadro de pessoas em depressão na sociedade brasileira, o que se deve a fatores como a perversa dinâmica social , bem como a falta de informação dos indivíduos acerca dessa enfermidade.        É importante considerar, de início, que a experiência atual de uma “sociedade líquida” torna-se campo fértil para intensificação da ocorrência de agravos mentais. A esse respeito, quando o filósofo Byung-Chul Han afirma que vivemos uma “cultura de conquistas”, na qual nos deixamos levar pela pressão de alcançar, parece prever as características das sociedades modernas. Partindo dessa lógica, o sujeito, ao estar imerso em um panorama social alicerçado em julgamentos, relações interpessoais pouco sólidas e pela pressão do reconhecimento social, acaba, por vezes, adquirindo uma falsa responsabilidade de se adaptar a estruturas vigentes, o que, de fato, no encontro de seus limites corpóreos e mentais, contribuem para o aparecimento de patologias neurais. Assim, percebe-se o quanto a coercitividade  de um tecido social fomenta a desvitalidade no bem-estar de muitas pessoas.

Outrossim, é factível que o desconhecimento do tecido social acerca dessa doença é igualmente fator para os obstáculos desse cenário. Nesse sentido, de acordo com a sociologia durkheimiana, o indivíduo só poderá agir na medida em que aprender a conhecer o contexto em que esta inserido. Partindo dessa máxima, a falta de mecanismo corroborantes, como o papel do ensino educacional, na transmissão dos mecanismos biológicos e sociais que desencadeiam a depressão, bem como de seus sintomas, repercute negativamente em uma maior visibilidade dessa doença psicológica e, consequentemente, menor busca de amparo por pessoas acometidas. Isso torna-se mais claro, na pesquisa realizada pelo jornal Folha de São Paulo, na qual foi constatado que 50% dos indivíduos que sofriam de depressão não sabiam da mesma.

É imperioso, portanto, mecanismos energéticos no embate desse cenário. Com efeito, cabe ao Ministério da Educação, juntamente com as instituições escolares proporcionar uma visão mais perceptível sobre os entraves psicológicos, como a depressão. Isso pode ser concretizado por meio de projetos associados a universidades que contemplam áreas da saúde, de modo que, a partir de oficinas e diálogos adaptados à compreensão de cada série, seja viável transparecer a complexidade da saúde mental e concomitantemente um esclarecimento mais holístico da gravidade das doenças neurais e suas possíveis soluções.