O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 31/07/2019
A geração ultrarromântica do século XVIII foi conhecida por sua apatia, tristeza profunda e constante fuga da realidade. Fora da alusão, o Brasil do século XXI demonstra as mesmas conotações no que se refere ao aumento da depressão entre os jovens. Nesse contexto, torna-se evidente as questões socioculturais, bem como o individualismo.
A princípio, a lenta mudança na mentalidade social caracteriza-se como um complexo dificultador. Conforme Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possível perceber que a questão da sucessiva taxa de adolescentes depressivos é fortemente influenciada pelo coletivo, uma vez que, se as pessoas crescem inseridas em um contexto social intolerante, a tendência é adotar esse comportamento também, o que torna sua solução ainda mais complexa.
Outro ponto relevante, nessa temática, é a falta de empatia. Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. A tese do sociólogo pode ser observada de maneira específica na realidade brasileira, no que tange ao crescimento da depressão entre os jovens brasileiros. Em virtude disso, há, como consequência, a apatia, pois, para se colocar no lugar do outro, é preciso deixar de olhar apenas para si. Essa liquidez que influi sobre a questão da doença funciona como um forte empecilho para sua resolução.
É evidente, portanto, que tais entraves precisam ser solucionados. Então, é preciso que o Ministério da Educação, em parcerias com o Conselho Federal de Psicologia do Brasil, desenvolverem “workshops”, em escolas, sobre a importância da empatia para o enfrentamento de problemas sociais e para o equilíbrio da sociedade. Tais atividades devem ser direcionadas aos alunos do Ensino Médio, porém, o evento pode ser aberto à comunidade. Além disso, podem ser ofertadas atividades práticas, como dinâmicas e dramatizações, a fim de tratar o tema de forma lúdica, para que a empatia seja prática presente em situações de depressão no Brasil. Por fim, é preciso que a comunidade brasileira olhe para a problemática com mais compreensão, pois, como descreveu o poeta Leminski: “Em mim, eu vejo o outro”.